Volkswagen vê produção de defesa como futuro de fábrica alemã após acordo preliminar

A conversão pode preservar cerca de 1.400 empregos até 2027, com a fábrica passando a produzir sistemas de defesa aérea para a Alemanha e a Europa.

Logotipo da Volkswagen em Hanôver, Alemanha

A Volkswagen fechou nesta segunda – feira (7) um acordo preliminar para transformar sua fábrica em Osnabrück, na Alemanha, em uma unidade de produção de equipamentos de defesa sob nova administração. A medida prevê a venda da planta para a empresa israelense Aurelius Capital e para o Estado da Baixa Saxônia.

A mudança deve encerrar a produção de veículos no local em 2027. Autoridades trabalhistas afirmam que a operação pode preservar cerca de 1.400 dos 1.800 empregos da unidade, que enfrenta dificuldades diante dos custos altos, da demanda fraca e da concorrência de fabricantes chineses.

Venda da fábrica e preservação de empregos

A Aurelius Capital e o Estado da Baixa Saxônia, segundo maior acionista da Volkswagen, assinaram uma declaração de intenções nesta segunda – feira (7). O documento estabelece as bases para a transferência da fábrica, que passará a buscar novas atividades industriais.

O acordo é considerado inédito nos esforços da Volkswagen para reorganizar fábricas com baixa competitividade. A montadora também avalia alternativas para outras unidades na Alemanha, em meio ao excesso crônico de capacidade no mercado europeu estagnado.

A empresa alertou que até quatro fábricas alemãs podem ser fechadas ou convertidas caso não sejam encontradas novas formas de uso. Dias antes, a Volkswagen havia anunciado uma grande reformulação para cortar empregos e simplificar sua estrutura.

Produção de sistemas de defesa

O primeiro “projeto âncora” previsto para Osnabrück envolve uma possível cooperação com a israelense Rafael Advanced Defense Systems. A empresa é uma das principais parceiras por trás dos sistemas de defesa aérea e antimísseis israelenses Iron Dome, Arrow e Davids Sling.

“Esses planos envolvem a possível fabricação de sistemas e componentes para sistemas de defesa aérea para a Alemanha e a Europa”, afirmou a Volkswagen. A montadora acrescentou que a parceria poderia abrir caminho para outros acordos semelhantes.

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Entre as possibilidades também está a conversão das picapes VW Amarok em veículos militares, segundo uma pessoa a par do assunto. A empresa polonesa de defesa WB Group poderia realizar uma operação semelhante com veículos da MAN, de propriedade da Traton da Volkswagen.

A Baixa Saxônia e o WB Group se recusaram a comentar esses planos, divulgados inicialmente pelo jornal alemão Frankfurter Allgemeine Zeitung. A produção para a defesa vem sendo considerada uma alternativa para fábricas automotivas subutilizadas, com empresas como a Rheinmetall e a Continental avaliando iniciativas semelhantes.