Venezuela deve divulgar dívida de US$ 240 bilhões e se prepara para reestruturação em julho

A divulgação da dívida de US$ 240 bilhões pela Venezuela pode sinalizar desafios significativos para a reestruturação e a recuperação econômica do país

Venezuela dívida

A Venezuela deve divulgar um montante de dívida que ultrapassa as expectativas, alcançando US$ 240 bilhões, enquanto se prepara para o que pode ser a maior reestruturação de sua dívida soberana já registrada. A informação foi publicada pelo Financial Times nesta quarta-feira, 24 de maio de 2026, com base em fontes a par dos planos do governo venezuelano.

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Desde 2017, o país enfrenta uma moratória e, recentemente, o presidente Nicolás Maduro foi detido pelas forças norte-americanas em janeiro deste ano.

Consultoria Especializada Contratada

Para ajudar na avaliação de seus passivos, a Venezuela contratou a consultoria americana Centerview Partners. Anteriormente, analistas haviam projetado que a dívida total do país variaria entre US$ 150 bilhões e US$ 200 bilhões. Apesar da expectativa de que Caracas apresentasse uma avaliação até o final de junho, o Financial Times informou que essa divulgação pode ocorrer apenas no início de julho.

Os títulos da Venezuela sofreram uma queda no último mês, após um período de forte valorização que se seguiu à prisão de Maduro. Após a publicação do relatório sobre a reestruturação da dívida, os títulos foram negociados a um centavo de dólar.

Os papéis da estatal petrolífera também apresentaram desvalorização nesse contexto. A Centerview Partners não se manifestou imediatamente quando solicitada para comentar sobre a situação.

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Impactos Econômicos e Expectativas dos Credores

O Financial Times ainda destacou que uma análise do Quadro Macroeconômico da Venezuela está prevista para ser divulgada até o final deste mês. Essa análise deverá estimar a produção econômica anual do país em cerca de US$ 100 bilhões, o que resultaria em uma relação dívida/PIB superior a 200%.

Essa situação gera preocupações entre analistas da empresa de pesquisa Tellimer, que afirmam que o montante elevado da dívida pode impactar as “previsões de recuperação” para os detentores de títulos.

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Os credores podem enfrentar dificuldades maiores caso o número final de credores seja mais amplo do que o antecipado e se houver reivindicações concorrentes daqueles que buscam receber pagamentos por parte do governo venezuelano. Essas circunstâncias poderiam diluir as recuperações esperadas pelos detentores dos títulos.

Um representante legal do Comitê de Credores da Venezuela optou por não comentar sobre a questão.

A reestruturação da dívida venezuelana representa um desafio significativo tanto para o governo quanto para os credores envolvidos, em um cenário onde a economia local já enfrenta sérias dificuldades estruturais e financeiras.