Gabrielli critica arrocho fiscal e defende taxação sobre super-ricos para melhorar gastos públicos

Gabrielli propõe uma reforma tributária que prioriza a taxação sobre os super-ricos, visando aumentar a eficiência dos gastos públicos e reduzir desigualdades.

08/08/2026 13:20

3 min

José Sergio Gabrielli, ex-Petrobras de 2005 a 2012
José Sergio Gabrielli, ex-Petrobras de 2005 a 2012

O economista José Sergio Gabrielli, que já foi presidente da Petrobras e atualmente coordena o programa de governo para a reeleição de Luiz Inácio Lula da Silva (PT), criticou as atuais políticas fiscais do país. Na noite desta sexta – feira (7), ele divulgou um texto onde enfatiza que o “arrocho fiscal” não deve ser visto como um objetivo final.

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Para ele, o equilíbrio das contas públicas não pode ser a única prioridade.

Gabrielli responsabiliza o Banco Central pelo aumento acelerado da dívida pública e rejeita recomendações que sugerem a necessidade de um superávit primário superior a 2% do PIB. Ele argumenta que a redução do déficit público não deve depender apenas da contenção de despesas, um método que, segundo ele, penaliza os mais vulneráveis.

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Pontos críticos sobre gastos públicos

Em seu texto, Gabrielli defende os pisos constitucionais para saúde e educação, considerados por ele conquistas sociais importantes. O economista alerta que mudanças nesses setores podem ter consequências negativas, mas acredita que é possível aumentar a “eficiência e eficácia” nos gastos.

Ele critica medidas frequentemente sugeridas por economistas e pelo mercado, como limitar os reajustes de aposentadorias e salários do funcionalismo público. Segundo Gabrielli, tais ações são ineficazes se as taxas de juros permanecerem altas. O foco deve estar em melhorar a eficiência e a transparência dos gastos públicos.

A proposta envolve revisar ou até extinguir benefícios fiscais e subsídios que não trazem retorno claro à economia ou à sociedade. Com isso, seria possível desonerar os cofres públicos e redirecionar recursos para áreas com maior impacto social.

Propostas para um sistema tributário mais justo

Gabrielli ainda critica a progressividade do sistema tributário brasileiro. Ele acredita que é viável alcançar um equilíbrio maior na arrecadação sem aumentar impostos, mas sim aprimorando sua estrutura. Aumentar a taxação sobre os mais ricos enquanto se desonera o consumo é uma estratégia que ele defende para financiar o estado de bem – estar social de maneira mais equitativa.

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No documento, ele descreve as emendas parlamentares como um “sequestro do orçamento”, destacando que elas atingiram R 61 bilhões em 2026. Esse montante representa mais de 20% das despesas discricionárias da União no Orçamento deste ano. Segundo Gabrielli, essa pulverização dos recursos compromete a capacidade do Executivo em planejar políticas públicas eficazes.

O texto também critica o elevado custo financeiro associado às taxas de juros como principal fator para o aumento da dívida pública. Ele aponta que, desde 2023, apenas 10% da expansão da dívida líquida decorreu do acúmulo de déficits primários; quase 90% foram causados pelos pagamentos de juros.

Críticas à política monetária

Gabrielli direciona suas críticas ao Banco Central ao mencionar que a política monetária contracionista tem elevado os custos da dívida e diminuído a capacidade de investimento do Estado. No entanto, essa visão não abrange toda a evolução recente do endividamento: dados do próprio BC mostram que a dívida bruta alcançou 81,9% do PIB em junho de 2026, equivalente a R 10,4 trilhões — o maior nível desde abril de 2021.

A comparação revela que quando Lula assumiu o governo em janeiro de 2023, a dívida bruta era de 71,38% do PIB. Portanto, apesar das críticas às taxas de juros na expansão da dívida pública, os números indicam uma alta significativa desde então.

Marcos Oliveira é um veterano na cobertura política, com mais de 15 anos de atuação em veículos renomados. Formado pela Universidade de Brasília, ele se especializou em análise política e jornalismo investigativo. Marcos é reconhecido por suas reportagens incisivas e comprometidas com a verdade.

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