Uso de defensivos agrícolas no Brasil cresce em 2025, mas faturamento não acompanha aumento

Crescimento do Uso de Defensivos Agrícolas no Brasil em 2025
O uso de defensivos agrícolas nas lavouras brasileiras registrou um aumento em 2025, impulsionado pela ampliação da área cultivada e pela intensificação da pressão de pragas e doenças. No entanto, esse crescimento não se refletiu de forma proporcional no faturamento da indústria.
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Um levantamento da Kynetec Brasil, encomendado pelo Sindiveg (Sindicato Nacional da Indústria de Produtos para Defesa Vegetal), revelou que a área cultivada cresceu 7,6%, superando 2,6 bilhões de hectares. Apesar disso, o valor de compra de defensivos pelos produtores teve um aumento modesto de apenas 0,7% em dólares, em meio à queda dos preços médios dos produtos.
Julio Borges, vice-presidente do Sindiveg, destacou que houve uma “erosão dos preços” ao longo do ano. Ele observou que, embora a área tratada tenha crescido 7,5% e o volume consumido 6,5%, não houve um aumento correspondente nos preços. “Isso significa que houve uma erosão de preço médio de cerca de 7%”, afirmou.
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Borges também mencionou que a deterioração das margens no campo impacta a indústria de defensivos, especialmente em um cenário de aumento dos custos operacionais e dificuldades para repassar preços ao mercado.
Impactos da Guerra no Oriente Médio e Inadimplência no Setor
A guerra no Oriente Médio teve efeitos significativos, triplicando os preços de alguns fertilizantes e afetando o mercado de defensivos. Borges, que também faz parte do Conselho de Administração da Ihara no Brasil, informou que pelo menos 30 ingredientes ativos tiveram aumentos entre 20% e 40% após a escalada do conflito, com o glifosato, amplamente utilizado, se destacando.
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Ele ressaltou que esses aumentos ainda não foram totalmente repassados aos produtores devido à liquidação de estoques da safra anterior, mas que para os volumes que estão sendo comercializados agora, o repasse já ocorrerá.
No primeiro trimestre de 2026, o agronegócio também enfrentou um aumento nos pedidos de recuperação judicial, além de margens apertadas e dificuldades de acesso ao crédito. Borges mencionou que as empresas do setor estão buscando ampliar operações de financiamento junto aos bancos para repassar crédito aos agricultores, diante das restrições no mercado rural.
Contudo, os índices de inadimplência continuam a subir, tendo dobrado de 2024 para 2025 e alcançando patamares equivalentes ao dobro do registrado no mesmo período do ano anterior.
Levantamento sobre a Área Potencial Tratada e Uso de Biológicos
O levantamento da Kynetec considera não apenas a extensão das áreas cultivadas, mas também o número de aplicações realizadas e a diversidade de produtos utilizados em cada ciclo produtivo. A metodologia abrange defensivos químicos, tratamento de sementes, inoculantes, herbicidas, fungicidas, inseticidas, nematicidas e outros insumos para proteção vegetal.
Cada nova aplicação em uma mesma área é contabilizada novamente na Área Potencial Tratada (PAT), o que significa que culturas com manejo intensivo elevam significativamente os números do indicador.
A soja continuou sendo a principal cultura em área tratada no Brasil, representando 55% do total nacional. O algodão ocupou a terceira posição, com 7% da área tratada. Regionalmente, Mato Grosso e Rondônia concentraram 33% da PAT do país. A distribuição regional está relacionada ao perfil das culturas e às características climáticas de cada região, com áreas de expansão agrícola, especialmente no Centro-Norte e Nordeste, aumentando o cultivo de soja, milho e algodão.
Consumo de Defensivos e Desempenho Financeiro do Setor
Os herbicidas foram responsáveis por 46% do volume total de defensivos consumidos no Brasil em 2025, enquanto inseticidas e fungicidas representaram 26% cada. Em termos de área tratada, os inseticidas lideraram com 30% da cobertura, seguidos pelos herbicidas, com 22%, e fungicidas, com 18%.
O potencial de área tratada com inseticidas cresceu 10% no ano, impulsionado principalmente pelos produtos destinados ao controle de lagartas e percevejos. Apesar da expansão das aplicações, o desempenho financeiro do setor permaneceu praticamente estável, com uma queda de 3,7% no câmbio e uma retração de 3% na relação entre custo e preço.
Historicamente, o mercado de defensivos vinha sendo impulsionado pela valorização dos preços até 2022. O valor pago pelos produtores em defensivos aumentou de US$ 12,65 bilhões em 2020 para US$ 20,21 bilhões em 2022. Contudo, a desaceleração começou em 2023, com um crescimento de apenas 4,9% e um pico de US$ 21,2 bilhões.
Em 2024, houve uma queda de 5,4%, e em 2025, a alta foi de apenas 0,7%, totalizando US$ 20,19 bilhões. Enquanto o faturamento perdeu ritmo, a Área Potencial Tratada manteve um crescimento contínuo, passando de 1,63 bilhão de hectares em 2020 para 2,68 bilhões em 2025.
Adoção de Biocontrole nas Lavouras
Em meio a esse cenário, a adoção de biocontrole também avançou. O levantamento indicou que a utilização de produtos biológicos cresceu 17% entre as safras 2019/20 e 2024/25, alcançando 45,5% da área agrícola monitorada. Em 2019/20, essa participação era de 19,8%.
Em números absolutos, a área com uso de biológicos aumentou de 21,6 milhões de hectares para 77,81 milhões de hectares. A adoção é mais intensa nas regiões Centro, Norte e Nordeste do país.
Os produtos biológicos não substituíram os defensivos químicos, mas passaram a atuar de forma complementar nas estratégias de manejo. Essa ampliação do uso está ligada à necessidade de incorporar diferentes mecanismos de controle, especialmente diante do aumento da resistência de pragas e doenças nas lavouras brasileiras.
Autor(a):
Bianca Lemos
Ambientalista desde sempre, Bianca Lemos se dedica a reportagens que inspiram mudanças e conscientizam sobre as questões ambientais. Com uma abordagem sensível e dados bem fundamentados, seus textos chamam a atenção para a urgência do cuidado com o planeta.



