UNAMA denuncia 443 prisões arbitrárias e 97 casos de maus-tratos atribuídos ao Talibã
A UNAMA informou, na quinta-feira (15), que a “polícia da moralidade” do Talibã fez 443 prisões e detenções arbitrárias e cometeu 97 casos de maus-tratos entre julho e setembro, no Afeganistão. O grupo rejeitou as conclusões e disse que as detenções foram legais.
O relatório também registrou quatro assassinatos e 14 detenções arbitrárias de ex-membros das forças de segurança afegãs. A missão apontou ainda mortes e feridos em incidentes transfronteiriços, além da suspensão de veículos de imprensa e da proibição de acesso de mulheres afegãs às instalações da ONU.
Prisões foram ligadas a regras sobre hijab, barba e música
Segundo a UNAMA (Missão de Assistência das Nações Unidas no Afeganistão), as detenções ocorreram por supostas violações de normas sobre o uso do hijab por mulheres, restrições a barbas e estilos de cabelo, obrigação de comparecer às orações e proibição de música.
Os casos foram documentados ao longo de três meses.
O porta-voz do Talibã, Zabiullah Mujahid, contestou o relatório. Ele afirmou que as detenções seguiram a lei e acusou a UNAMA de promover propaganda contra o governo.
O documento também menciona a prisão de ex-integrantes das forças de segurança, apesar da anistia geral anunciada após o retorno do Talibã ao poder, em 2021. Foram registrados quatro assassinatos e 14 detenções arbitrárias nesse grupo.
UNAMA relata mortes em incidentes transfronteiriços
A missão informou que incidentes transfronteiriços deixaram 13 civis mortos e 20 feridos durante o trimestre. Também relatou a suspensão de diversos veículos de imprensa.
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As mulheres afegãs continuam impedidas de acessar as instalações da ONU, segundo a UNAMA. Grupos de direitos humanos afirmam que as promessas do Talibã de governar de forma mais liberal, feitas quando o grupo voltou ao poder, foram substituídas por restrições abrangentes a mulheres e meninas.
Talibã tomou Cabul em 15 de agosto de 2021
A volta do Talibã ao poder no Afeganistão completa cinco anos neste sábado (15). O grupo tomou Cabul, capital do país, em 15 de agosto de 2021, durante a retirada de forças estrangeiras lideradas pelos Estados Unidos, após 20 anos de guerra inconclusiva.
Naquele período, as forças de segurança afegãs, estruturadas com anos de apoio ocidental, se desintegraram, e o presidente Ashraf Ghani, apoiado pelos EUA, fugiu. O Talibã descreveu a tomada do país como o estabelecimento de segurança em todo o território.
O governo declarou como objetivo construir uma sociedade islâmica baseada na lei da Sharia, após 20 anos de um governo comparativamente liberal e apoiado pelo Ocidente. Em 2026, o Afeganistão enfrenta confrontos letais entre forças afegãs e paquistanesas, enquanto a desnutrição atinge níveis críticos em um terço das províncias do país.
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