Umidade elevada atrasa colheita de milho e acelera ciclo do trigo na Argentina em 2026

Produtores argentinos enfrentam desafios na colheita do milho enquanto o trigo avança rapidamente, aumentando preocupações com doenças nas lavouras.

11/08/2026 05:10

3 min

Colheitadeira em fazenda de milho
Colheitadeira em fazenda de milho

A elevada umidade nas lavouras argentinas acende o alerta entre os produtores, que enfrentam atrasos na colheita do milho tardio. As temperaturas acima do normal e a baixa radiação solar aceleram o desenvolvimento do trigo e aumentam o risco de doenças.

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A situação foi destacada pela BCR (Bolsa de Comércio de Rosário), que prevê possíveis impactos nas duas culturas.

No início de agosto, cerca de 47% do milho tardio, totalizando aproximadamente 150 mil hectares, ainda estava por colher. O avanço da colheita ficou praticamente paralisado durante julho devido às condições úmidas, gerando preocupação entre os técnicos consultados pela BCR.

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Em algumas áreas, já foram identificados problemas de germinação dos grãos ainda nas plantas. “Hoje nossa grande preocupação passa pela colheita. Já estamos vendo lotes de sorgo brotados. Ninguém quer ir ver como estão as lavouras de milho.

Nos dá medo”, relataram especialistas da região de Alvear.

Desenvolvimento do trigo

A situação no trigo apresenta um cenário distinto. De forma geral, as lavouras estão em boas condições, mas as temperaturas elevadas provocaram um avanço no ciclo das plantações. Em Corral de Bustos, alguns lotes já se aproximam do início do encanamento, fase que normalmente ocorre mais tarde no mês.

Em María Susana, técnicos também notaram sinais de antecipação na fase de encanamento.

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Por outro lado, a alta umidade beneficiou o crescimento das raízes, permitindo que elas alcançassem camadas mais profundas do solo e acessassem uma maior quantidade de nutrientes. Contudo, a baixa disponibilidade de radiação solar é uma preocupação adicional.

Segundo dados da rede de estações GEABCR, a radiação média diária entre 1º de junho e 31 de julho foi entre 20% e 40% inferior à registrada no mesmo período em 2025.

O ambiente térmico e luminoso foi considerado 21% menos favorável ao trigo em comparação ao ano anterior, com uma temperatura média 7% mais alta. Essa combinação pode diminuir o quociente fototérmico, indicador que avalia as condições ambientais para o crescimento do trigo.

Embora seja difícil prever o impacto exato sobre a produtividade, a BCR indica que isso pode limitar a formação de perfilhos e reduzir o número potencial de espigas por metro quadrado.

Riscos de doenças nas lavouras

Atualmente, a principal preocupação relacionada ao trigo é o avanço das doenças nas plantações. A BCR aponta que não há uma ocorrência generalizada até agora, mas as condições climáticas e a baixa circulação de ar favorecem potenciais infecções.

Técnicos em Pergamino já identificaram manchas de queima bacteriana e acreditam que a incidência dessas doenças deve aumentar.

Em General Villegas, apesar das lavouras estarem em bom estado até o momento e sem doenças visíveis, as condições ambientais são consideradas altamente propícias para infecções fúngicas. A avaliação em Alvear é mais cautelosa: “Falta frio e sol.

Falta ao trigo um inverno adequado”, afirmaram os técnicos da BCR.

A expectativa na região é que sejam necessários entre 15 e 20 dias com frio e sol para amenizar as condições favoráveis ao avanço das doenças nas lavouras.

Autor(a):

Com formação em Jornalismo e especialização em Saúde Pública, Lara Campos é a voz por trás de matérias que descomplicam temas médicos e promovem o bem-estar. Ela colabora com especialistas para garantir informações confiáveis e práticas para os leitores.

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