Uefa, Concacaf e AFC criticam Gianni Infantino e pedem investigação independente sobre venda

Críticas das confederações aumentam a pressão sobre Infantino, que é acusado de romper a confiança e de agir sem consulta nas decisões da Fifa.

Gianni Infantino, presidente da Fifa

As confederações Uefa, AFC e Concacaf criticaram duramente o presidente da Fifa, Gianni Infantino, em uma carta conjunta divulgada nesta segunda – feira (10). O documento endereçado à “família do futebol” destaca que o esporte não pertence a um único indivíduo e pede uma revisão independente sobre a proposta de venda de direitos comerciais da Copa do Mundo.

Ainda que Infantino não tenha sido mencionado diretamente, as confederações expressaram insatisfação com a forma como a Fifa lidou com a situação, que acabou sendo abandonada. Na carta, afirmam: “A liderança no futebol não é uma posse. Não se trata de deter ou exigir poder. É um dever de serviço para com a família do futebol que a confia”.

Quebra de confiança

Além das críticas ao presidente da Fifa, as entidades também acusaram a administração da federação de ter rompido a confiança ao agir sem consultar amplamente as organizações integrantes. “Quando a confiança é quebrada por meio do engano, quando um indivíduo se coloca acima do coletivo que lhe confiou autoridade, esse dever foi abandonado”, escreveram.

Na comunicação enviada aos vice – presidentes e às 211 federações – membro, a Fifa tratou o episódio como uma falha de comunicação. No entanto, Uefa, AFC e Concacaf consideram essa avaliação insuficiente, caracterizando o ocorrido como uma “falha de discernimento”.

A proposta foi feita em um prazo curto e sem consulta significativa antes que as federações pudessem analisar os termos adequadamente.

As confederações deixaram claro que o debate vai além das questões financeiras; ele envolve a “integridade do jogo” e a responsabilidade de quem ocupa posições de liderança no futebol. Defendem ainda que uma investigação sobre os acontecimentos deve ser conduzida por uma entidade totalmente independente, excluindo a própria administração da Fifa.

Aumento da pressão sobre Infantino

A nova manifestação contra Infantino surge em um momento em que ele já enfrentava críticas acentuadas de diversos setores do futebol e até mesmo autoridades políticas. Em julho, o primeiro – ministro britânico Andy Burnham afirmou que Infantino era “a pessoa errada” para liderar a Fifa e chamou sua proposta de abrir parte dos direitos comerciais da entidade ao mercado de “ultrajante”.

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Para Burnham, essa iniciativa levantava dúvidas sobre a permanência do dirigente no cargo.

A Uefa já havia expressado sua insatisfação publicamente antes dessa carta. A atual gestão da Fifa perdeu a confiança não apenas da entidade europeia, mas também de outros membros da comunidade internacional do futebol. Algumas federações europeias se manifestaram contra o mandatário atual.

No entanto, Uefa, AFC e Concacaf reforçaram na nova carta que não estão questionando mudanças em decisões coletivas, como a expansão da Copa do Mundo ou distribuição de vagas no torneio. O foco é criticar como decisões significativas foram conduzidas.

Posição das confederações

A carta finaliza destacando que o futebol é uma paixão compartilhada globalmente e pertence aos jogadores, torcedores e instituições responsáveis por seu futuro. As confederações enfatizam que os sucessos recentes são frutos do trabalho conjunto e não resultado das ações isoladas de uma única pessoa.

“Queremos uma liderança que sirva ao futebol em vez de buscá – lo dominar”, concluem na mensagem enfatizando a importância da unidade dentro do esporte.