TSE dá 12 horas para Meta explicar alcance de Nikolas, Marçal e Flávio no Instagram

Ação da campanha de Lula pede transparência sobre a origem das visualizações; multa por atraso chega a R$ 100 mil por hora, ou R$ 2,4 milhões por dia.

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TSE dá 12 horas para Meta explicar alcance de Nikolas, Marçal e Flávio no Instagram

O ministro Ricardo Villas Bôas Cuevas, do TSE (Tribunal Superior Eleitoral), deu à Meta 12 horas para explicar o alcance “privilegiado” dos perfis de Nikolas Ferreira (PL), Pablo Marçal (PRTB), Flávio Bolsonaro (PL) e Alfredo Gaspar (PL), candidato a vice na chapa de Flávio.

A decisão foi tomada na quinta-feira (22).

Se a empresa responsável por Instagram, Facebook e Whats App perder o prazo, pagará multa de R$ 100 mil por hora de atraso, o que equivale a R$ 2,4 milhões por dia. A ordem atende a uma ação movida pela campanha do presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT).

TSE quer saber de onde vêm as visualizações

Pela decisão, a Meta precisa detalhar a origem das visualizações, a quantidade de contas alcançadas e a proporção entre seguidores e não seguidores que viram as publicações.

“Os dados deverão ser acompanhados de explicação objetiva das métricas de distribuição do alcance utilizadas, com identificação da origem das visualizações, da proporção proveniente de seguidores e não seguidores e das principais superfícies de distribuição, esclarecendo-se, na medida tecnicamente possível, a distinção entre visualizações, contas efetivamente alcançadas e reproduções repetidas, bem como eventuais limitações das informações fornecidas”, afirma o texto.

Para fundamentar a ordem, Cuevas citou números do perfil de Nikolas Ferreira no X (antigo Twitter) e disse que o alcance dos posts do deputado no Instagram exige esclarecimento técnico. Segundo o ministro, depois que o filtro saiu, a maior parte das visualizações passou a vir de não seguidores.

Para ele, isso mostra a influência dos mecanismos de recomendação e “reforça a necessidade de esclarecimentos técnicos acerca das métricas de distribuição e alcance”.

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Vídeo de Nikolas superou postagens de Neymar e Messi

O caso ganhou força depois que a Folha de SPaulo mostrou que um vídeo sem som de Nikolas Ferreira sobre o Nordeste chegou a 160 milhões de visualizações no Instagram na quinta-feira. O número supera publicações de Neymar, Messi e Cristiano Ronaldo. Segundo o jornal, vídeos sem som costumam ter menos engajamento, o que não ocorreu nesse caso.

De acordo com o levantamento, Cristiano Ronaldo, com aproximadamente 679 milhões de seguidores, publicou neste ano só um vídeo com mais visualizações que o de Nikolas. Messi, com cerca de 517 milhões, e Neymar, com 241 milhões, têm dois vídeos cada acima dessa marca.

Nikolas tem 25 milhões de seguidores no Instagram.

Meta diz que engajamento, e não seguidores, define o alcance

Em posicionamento divulgado na quinta-feira, a Meta afirmou que “é o engajamento, e não o número de seguidores, que impulsiona o alcance e o desempenho de um conteúdo”. Segundo a plataforma, vídeos que acumulam visualizações, curtidas, comentários e compartilhamentos em pouco tempo tendem a chegar a mais usuários.

“Uma conta com um número relativamente pequeno de seguidores pode alcançar mais pessoas se uma parcela maior de seu público estiver ativa e visualizar, interagir, republicar ou compartilhar seu conteúdo”, disse a empresa, que negou “qualquer tratamento preferencial”.

Não é a primeira vez que a Meta precisa se explicar. Na terça-feira (20), a empresa negou favorecer candidatos e disse que Facebook, Instagram e Whats App aplicam as mesmas regras de distribuição a todos, além de adotar medidas para evitar abusos.

Na semana anterior, o TSE já havia determinado que a Meta não interfira na distribuição de conteúdo político-eleitoral. Essa ordem vale até o fim do segundo turno, em 25 de outubro, sob pena de multa diária de R$ 500 mil.

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