Trump reduz exercícios militares com Coreia do Sul e pode atrasar defesa de Seul

O presidente dos EUA, Donald Trump, decidiu reduzir a escala dos exercícios militares anuais com a Coreia do Sul, o que pode impactar sua meta de fazer com que Seul assuma mais responsabilidade por sua defesa. Os exercícios “Ulchi Freedom Shield”, que envolvem dezenas de milhares de soldados, foram cortados pela metade após um pedido de Washington.
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Trump justificou sua decisão no último fim de semana, afirmando que as manobras incomodavam seu amigo Kim Jong – un e representavam um alto custo para os Estados Unidos.
No domingo (16), Trump publicou em sua rede social, Truth Social, que esses exercícios “enviam um sinal totalmente inadequado e hostil”. Essa afirmação contrasta com a natureza defensiva das manobras e reflete uma retórica similar à utilizada pela mídia estatal da Coreia do Norte.
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Tanto Washington quanto Seul reiteraram que o objetivo das atividades é a dissuasão e defesa, e não a invasão do território norte – coreano.
Impacto nas relações entre EUA e Coreia do Sul
A redução da escala dos exercícios levanta preocupações sobre o controle operacional das forças combinadas da Coreia do Sul e dos EUA durante conflitos. Desde o início da Guerra da Coreia em 1950, Seul não possui esse controle em tempo de guerra, o que é considerado um objetivo fundamental para ambos os países.
A medida pode atrasar a transição para que a Coreia do Sul assuma maior responsabilidade em sua própria defesa.
O presidente sul – coreano, Lee Jae – myung, manifestou apoio à visão de Trump sobre a necessidade de Seul aumentar seus gastos com defesa para 3,5% do PIB. Em declarações na quarta – feira passada, ele considerou a decisão de Trump como uma importante tentativa de promover a paz na Península Coreana.
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O modelo atual de controle militar remonta ao início da Guerra da Coreia, quando as forças sul – coreanas transferiram o comando para Washington. Desde então, houve várias tentativas de reverter essa dinâmica. O Comando das Forças Combinadas (CFC), sempre sob liderança americana, transferiu o controle operacional em tempos de paz para Seul em 1994; no entanto, o comando durante guerras ainda permanece com os EUA.
Desafios na aliança militar
A crescente capacidade militar da Coreia do Sul tem sido um fator relevante nesse debate. Lee Jae – myung utilizou o lançamento dos exercícios deste ano, na terça – feira (18), para reafirmar seu compromisso em devolver o controle operacional às forças sul – coreanas até 2030. “Nossa capacidade de defesa já figura entre as melhores do mundo”, afirmou Lee.
Entretanto, os recentes cortes nos exercícios podem complicar esses planos. Yu Ji – hoon, pesquisador do Instituto Coreano de Análises de Defesa (KIDA), alertou que mudanças repentinas podem afetar não apenas a prontidão militar mas também dificultar os esforços para dividir responsabilidades entre os aliados.
Lee Jeong – kyu, pesquisador visitante do Instituto Sejong na Coreia do Sul, mencionou que há um crescente impulso por maior autonomia sul – coreana em relação ao controle militar — algo previsto na Estratégia de Defesa Nacional dos EUA divulgada recentemente.
Repercussões internacionais
A relação pessoal entre Trump e Kim Jong – un tem gerado tensão nas alianças tradicionais. Enquanto isso, Kim Yo Jong — irmã do líder norte – coreano — declarou que a redução da escala dos exercícios não muda sua natureza provocativa. Antes mesmo da divulgação oficial sobre as mudanças nos exercícios militares, a agência estatal norte – coreana classificou essas manobras como uma ameaça imediata à segurança regional.
Além disso, analistas apontam que essa nova postura pode desviar atenção das tropas americanas em momentos críticos em outras partes do mundo. A economia obtida com os cortes nos exercícios é considerada insignificante diante das incertezas diplomáticas geradas por essa aproximação com Pyongyang.
No primeiro mandato de Trump, ele não conseguiu convencer Kim a abandonar suas ambições nucleares; pelo contrário, essas capacidades só aumentaram desde então. A situação se torna ainda mais complexa com Kim estreitando laços com potências como Rússia e China.
A redução das manobras militares pode prejudicar tanto a coordenação entre aliados quanto retardar o processo necessário para que a Coreia do Sul assuma maior responsabilidade por sua própria defesa. Essa mudança pode enfraquecer ainda mais a capacidade dissuasória contra possíveis conflitos na Ásia.
Autor(a):
Júlia Mendes
Apaixonada por cinema, música e literatura, Júlia Mendes é formada em Jornalismo pela Universidade Federal de São Paulo. Com uma década de experiência, ela já entrevistou artistas de renome e cobriu grandes festivais internacionais. Quando não está escrevendo, Júlia é vista em mostras de cinema ou explorando novas bandas independentes.



