Trump quer erguer seu próprio ‘Arco do Triunfo’ em Washington

Donald Trump quer seu próprio arco do triunfo. O 45º e 47º presidente dos Estados Unidos planeja erguer uma estrutura cerimonial perto do Cemitério de Arlington, em Washington, seguindo a tradição de líderes como Tito, Napoleão Bonaparte e o Duque de Wellington.
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O projeto, no entanto, expõe uma contradição: Trump ainda não tem um triunfo que justifique o monumento.
O impasse com o Irã, por exemplo, revelou limites do poder americano, em vez de demonstrar dominância. O presidente chegou a chamar o conflito de “coisa pequena”. Para justificar o arco, sua equipe o apresenta como uma celebração da Declaração de Independência, com um pé de elevação para cada ano desde 1776.
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Mas Trump já deixou claro que a onda de construções é uma tentativa de marcar sua persona em Washington para sempre. “Ninguém vai fazer isso depois que eu for embora”, disse ele à revista New York.
Imperialismo do século 21
A obsessão de Trump com monumentos vai além de redesenhar a capital. O presidente não está apenas interessado nos símbolos do império — ele quer o próprio império. Sua política externa mistura diplomacia de canhoneira, bloqueios navais e apropriação de recursos de outras nações, num estilo que remete ao aventureirismo da era vitoriana.
Trump também recorre ao legado colonial americano. Ele expandiu a Doutrina Monroe de 1828 para registrar uma reivindicação dos EUA sobre o Hemisfério Ocidental e copia as guerras tarifárias de seu modelo do século 19, o presidente William McKinley.
O alto funcionário da Casa Branca Stephen Miller defendeu na CNN que as “leis de ferro” do mundo exigem que a América governe com força, poder e autoridade.
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Essa visão rompe com o credo da política externa dos EUA baseado em alianças e instituições internacionais, que tornaram o país a potência preeminente do mundo. Trump aspira a um mundo de autocratas governando esferas geográficas de influência, com os EUA dominando potências menores como o Canadá ou a UE.
O caso da Venezuela
O acordo de Trump com a Venezuela para explorar conjuntamente 17 campos de petróleo é um exemplo claro dessa visão. O plano é abastecer as reservas estratégicas, reduzir os preços da gasolina e diminuir a dependência de rotas no Oriente Médio.
O secretário de Energia Chris Wright foi direto no domingo (6): “Temos muito poder de barganha sobre a Venezuela. Controlamos a venda de petróleo fora do país deles”.
Para Wright, “agora, eles são obrigados a trabalhar em parceria conosco”. O acordo, no entanto, legitima o regime repressivo deixado para trás quando Trump expulsou o ditador Nicolás Maduro em janeiro. O ex – ministro do Petróleo da Venezuela Ricardo Hausmann classificou o negócio como “um escândalo” e “criminoso”. “Acho que é a coisa mais imperialista que os EUA já fizeram em toda a sua história”, disse ele à CNN.
Trump se apresenta como o distante vice – rei que decidirá quando os venezuelanos poderão eleger seus próprios governantes. Questionado sobre eleições, ele respondeu: “Simplesmente não acho que estejam prontos ainda. Sabe, é muito recente”.
Limites do poder americano
A guerra com o Irã expõe as fragilidades dessa abordagem. As forças convencionais de Teerã estão destruídas, e o ex – líder supremo Aiatolá Ali Khamenei está morto. Mas o regime revolucionário sobreviveu por meio de guerra assimétrica e drones, sobrecarregando as forças navais dos EUA.
Em casa, os americanos enfrentaram os preços de gasolina mais altos de todos os tempos no Dia do Trabalho, e o diesel atingiu recordes históricos na sexta – feira.
O historiador Alan Lester, da Universidade de Sussex, argumenta que Trump enxerga o poder “puramente em termos de alavancagem econômica ou alavancagem de força militar violenta”. Mas, a longo prazo, seu imperialismo está condenado. “Mesmo no seu auge, a Grã – Bretanha conseguia projetar poder em tantos lugares simultaneamente porque racionava sua força militar com muito cuidado, e por causa do arcabouço de acordos com outras potências que Trump considera anátema”, disse Lester.
Autor(a):
Sofia Martins
Com uma carreira que começou como stylist, Sofia Martins traz uma perspectiva única para a cobertura de moda. Seus textos combinam análise de tendências, dicas práticas e reflexões sobre a relação entre estilo e sociedade contemporânea.



