Trump liga acordo com Irã a normalização das relações com países árabes

Donald Trump liga acordo com o Irã à normalização com países árabes, levantando questões sobre a diplomacia na região. O que está em jogo?

30/05/2026 00:02

3 min

Trump liga acordo com Irã a normalização das relações com países árabes
(Imagem de reprodução da internet).

Trump liga acordo com Irã a normalização com países árabes

O presidente dos Estados Unidos, Donald Trump, voltou a associar um possível acordo com o Irã à adesão de nações árabes aos Acordos de Abraão, que buscam a normalização das relações entre esses países e Israel. A afirmação foi feita em uma extensa publicação na rede social do líder americano, reacendendo o debate sobre as reais chances de um entendimento diplomático na região.

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Conforme informações divulgadas, Trump já havia sugerido no início da semana que países como Catar e Arábia Saudita deveriam estabelecer relações diplomáticas com Israel como parte de um acordo entre Washington e Teerã. A TV estatal iraniana chegou a noticiar um suposto memorando de entendimento em discussão entre os dois países, no qual o bloqueio militar americano a portos iranianos seria suspenso em troca da retomada do tráfego pré-guerra no Estreito de Ormuz em até 30 dias.

No entanto, a Casa Branca classificou essa reportagem como uma “invenção completa”.

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Acordos de Abraão com possibilidades remotas

O professor de Relações Internacionais da ESPM e da Unifa, Gunther Rudzit, analisa que a Arábia Saudita tem se distanciado progressivamente de qualquer normalização com Israel desde o início dos anos 2020. Recentemente, o país firmou uma aliança militar com o Paquistão e afirmou que não há como estabelecer um acordo enquanto não houver a criação de um Estado palestino. “Diante da postura do governo de Benjamin Netanyahu, o Estado palestino não vai existir”, declarou Rudzit.

Lourival Sant’Anna também ressaltou que os americanos têm se contido em ações militares. Apesar de terem derrubado quatro drones iranianos recentemente, essa ação não representa uma retomada dos bombardeios. Segundo o analista, existem limitações políticas e econômicas que restringem as opções dos EUA.

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Ele acrescentou que, de acordo com a Constituição americana, sem a aprovação do Congresso, após 60 dias — prazo que se encerrou em 28 de abril —, o governo americano não pode lançar uma nova ofensiva contra o Irã. “Seria uma clara violação da lei americana”, afirmou.

Rearranjo estratégico e energético

No âmbito estratégico, Rudzit observa que o conflito está redesenhando a ordem energética global. “Um rearranjo regional está em andamento e terá repercussões globais, tanto em termos estratégicos quanto energéticos”, destacou. O professor também mencionou o recente envio de 6 mil soldados e um esquadrão de caças pelo Paquistão à Arábia Saudita como um sinal de aproximação entre um Paquistão nuclear e a Arábia Saudita, com um olhar voltado para Israel. “Isso é apenas a ponta do iceberg dessas mudanças que estão por vir”, concluiu.

Israel amplia zona de combate no Líbano

Enquanto as negociações diplomáticas prosseguem, Israel continua a expandir sua zona de combate no Líbano, mesmo com o cessar-fogo em vigor. As forças de defesa de Israel passaram a considerar toda a região abaixo do rio Zahrani como zona de combate contra o Hezbollah.

Essa área abrange cerca de 2 mil quilômetros quadrados, representando aproximadamente 20% do território libanês — mais que o dobro da área anteriormente considerada.

A foz do rio Zahrani está localizada a menos de 10 quilômetros de Sidon, a terceira cidade mais populosa do Líbano, para onde parte da população deslocada do sul do país tem buscado abrigo. Desde 2 de março, mais de 1,2 milhão de libaneses foram deslocados devido a ataques israelenses e ordens de evacuação, o que equivale a cerca de 20% da população do país.

Gabriel é economista e jornalista, trazendo análises claras sobre mercados financeiros, empreendedorismo e políticas econômicas. Sua habilidade de prever tendências e explicar dados complexos o torna referência para quem busca entender o mundo dos negócios.

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