Trump e republicanos encerram convenção em Dallas com cinco pontos para o Meio de Mandato

A estratégia tenta preservar as maiorias republicanas no Congresso, mas enfrenta insatisfação com preços altos, a guerra no Irã e as operações de imigração.

O presidente dos EUA, Donald Trump, sobe ao palco para discursar no primeiro dia da Convenção Nacional Republicana de 2026

Donald Trump e o Partido Republicano encerraram nesta quinta – feira (11), em Dallas, uma convenção de dois dias voltada a fortalecer o partido para as eleições de Meio de Mandato. A estratégia foi exibir unidade, mobilizar apoiadores e tentar reverter a tendência histórica de derrotas republicanas nesse tipo de disputa.

O encontro ocorreu sob pressão política sobre Trump. A insatisfação com os preços elevados, a guerra no Irã e as operações de imigração aparece entre os fatores que podem afastar eleitores indecisos e dificultar a manutenção das maiorias republicanas no Congresso.

Republicanos concentram ataques nos democratas

O Comitê Nacional Republicano havia apresentado a convenção como uma oportunidade para chamar a atenção dos eleitores e destacar os resultados do partido em políticas públicas. Na prática, porém, Trump e vários oradores dedicaram boa parte dos discursos aos democratas.

Os adversários foram classificados como extremistas de esquerda e perigosamente antiamericanos. O secretário do Tesouro dos EUA, Scott Bessent, afirmou que os democratas queriam transformar o país em um “cenário infernal socialista”.

A estratégia de atacar o partido rival e explorar o medo é usada pelos dois grandes partidos há décadas. Trump mantém criminalidade e imigração entre os principais temas de seu discurso político, enquanto os republicanos tentam apresentar o controle democrata do Congresso como um risco maior.

Economia e o papel de Trump na eleição

A economia foi outro ponto de tensão. O governo Trump enfrenta descontentamento com o custo de vida e com a dificuldade de reduzir os preços da gasolina e dos alimentos. Desde o ano passado, assessores da Casa Branca pressionam o presidente a falar mais sobre o tema.

Trump, contudo, voltou a minimizar as preocupações com a inflação. Em seu discurso na noite de quarta – feira, disse que a palavra “acessível”, quando relacionada aos preços, era “falsa” e atribuiu aos democratas a responsabilidade pelos valores altos. “Estou reduzindo drasticamente os preços”, declarou, embora a afirmação destoe dos dados econômicos do governo.

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O presidente e outros oradores defenderam os cortes de impostos de 2025, que resultaram em restituições maiores da Receita Federal (IRS) para muitas famílias este ano. Eles também citaram os esforços para reduzir os preços de medicamentos.

Trump pediu aos apoiadores do movimento Maga (Make America Great Again) que votassem como se ele estivesse disputando a eleição. “Façam de conta que estou na cédula”, disse, sob aplausos. A aposta pode aumentar a participação de sua base, mas também facilitar a estratégia democrata de transformar a disputa em um referendo sobre um presidente impopular.

Promessas de Trump e futuro de JD Vance

A proposta enfrenta um obstáculo semelhante ao reembolso tarifário de US 2 mil, que nunca foi aprovado pelo Congresso e poderia exigir mais de 1 trilhão de dólares.

O presidente também afirmou que os preços do petróleo cairiam “assim que vencermos a guerra contra o Irã”. Segundo ele, o conflito terminaria “logo após o Dia da Eleição”, em 3 de novembro. A guerra, porém, mostrava poucos sinais de encerramento desde que os EUA e Israel lançaram ataques contra o Irã em fevereiro.

O vice – presidente JD Vance ganhou espaço na última noite da convenção. Seu discurso combinou a política populista de Trump e críticas aos democratas com referências a família, fé e futuro das crianças. Ele descreveu a eleição como uma luta para preservar o que chamou de “direito de nascença” dos americanos.

Vance foi recebido com gritos de “48, 48”, em alusão à possibilidade de se tornar o 48º presidente dos EUA, depois de Trump, o 47º. “Temos que fazer o que precisa ser feito agora em novembro; depois, nos preocuparemos com o que vem a seguir”, disse.

Trump não indicou se pretende escolher um sucessor, mas seu apoio teria peso decisivo após uma década de transformação do partido e de consolidação de uma base extremamente leal.