Trump com 38% de aprovação põe maioria republicana em risco nas eleições de meio de mandato nos EUA

Com todos os 435 assentos da Câmara e 35 das 100 cadeiras do Senado em disputa, a inflação pesa e os democratas podem ganhar ao menos 20 vagas.

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Presidente dos EUA, Donald Trump 20 de outubro de 2026 REUTERS/Kevin Lamarque

Os eleitores dos Estados Unidos escolhem um novo Congresso, com todos os 435 assentos da Câmara dos Representantes e 35 das 100 cadeiras do Senado em disputa. A votação de meio de mandato se aproxima com a votação antecipada já em curso e um clima de ansiedade entre quem já votou.

Muitos eleitores dizem sentir que “a América que conheciam está sumindo”. Eles citam a percepção de “ilegalidade” entre políticos e a influência de bilionários, mas o custo de vida pesa mais, e a gasolina aparece no centro das queixas.

Baixa popularidade de Trump pressiona os republicanos

O Partido Republicano controla hoje as duas Casas, mas chega à eleição pressionado pela baixa popularidade do presidente dos EUA, Donald Trump. O Commerzbank registra aprovação de 38% e desaprovação de 60%, o que resulta em saldo líquido de -22%.

Para o banco, a inflação é o fator decisivo. Segundo o Commerzbank, Trump não cumpriu a promessa de baixar preços “no primeiro dia”, e suas políticas, como as tarifas e a guerra com o Irã, que encareceu a energia, reacenderam pressões inflacionárias.

Aluguéis, alimentos e combustíveis ganharam espaço na campanha, enquanto o Partido Democrata aposta na bandeira do custo de vida.

Câmara pode trocar de mãos, indicam levantamentos

As pesquisas apontam risco elevado para os republicanos, sobretudo na Câmara. Desde 1950, o partido do presidente costuma perder cerca de 20 cadeiras nessas eleições, em média.

A maioria republicana na Casa é estreita, de apenas quatro assentos. Levantamentos sugerem que os democratas podem ganhar ao menos 20 cadeiras e assumir o controle.

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Disputa no Senado aperta e Texas dá sinais de virada

No Senado, a disputa também se fechou para os republicanos nas últimas semanas, com sinais de virada no Texas, tradicional reduto conservador. Uma pesquisa do New York Times em parceria com o Siena Research Institute (SRI), divulgada em 1º de novembro, mostra os democratas à frente em cinco dos sete Estados-pêndulo analisados para o Senado.

Na véspera da eleição, Trump minimizou os números e afirmou que “nunca conheceu alguém” entrevistado por institutos de pesquisa. Disse ainda que, em um comício, apenas duas pessoas levantaram as mãos quando perguntadas se haviam sido consultadas.

Também afirmou que vetará “tudo” se os democratas vencerem e, questionado sobre segurança eleitoral, disse não acreditar que as eleições serão seguras.

Justiça rejeita ação para barrar certificação no Alasca

A Justiça americana rejeitou uma ação do governo Trump que pretendia impedir o Alasca de certificar uma possível derrota do senador republicano Dan Sullivan. O argumento era o risco de eleitores terem se equivocado ao votar, já que há um concorrente homônimo.

Mercado acompanha efeitos sobre dólar, dívida e Fed

O ING observa que sites de apostas dão aos democratas entre 70% e 72% de chance de conquistar Câmara e Senado. O banco pondera que parte das leituras sobre efeitos imediatos é especulativa, mas avalia que uma vitória democrata poderia pressionar o dólar.

Na avaliação do ING, o cenário mais provável seria um impasse sobre o limite de endividamento, seguido de uma paralisação prolongada do governo no ano que vem. Uma vitória democrata também poderia estimular Trump a adotar uma política externa ainda mais intervencionista.

O Commerzbank alerta para o risco de shutdown, já que o financiamento do governo vai apenas até 11 de dezembro. Se os democratas levarem o Senado além da Câmara, a capacidade de Trump de influenciar o Fed ficaria limitada, pois a aprovação da Casa é necessária para preencher vagas abertas no conselho da autoridade monetária.

Como cenário de baixa probabilidade, mas “maior do que zero”, o banco cita a possibilidade de contestação dos resultados. Ondas de ações judiciais e protestos poderiam abalar a confiança institucional. Enquanto os votos antecipados seguem sendo depositados, as projeções indicam um Congresso mais dividido, e o período pós-eleição, marcado por inflação, impasses orçamentários e tensões externas, pode pesar tanto quanto o próprio resultado.

Com informações da Associated Press (AP).

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