Só 23,2% do trigo atingem PH mínimo para farinha Tipo 1, ante 72% em 2025

Umidade mediana subiu para 15,9% e PH caiu a 74,2 kghl; chuvas podem deteriorar grãos ainda no campo e elevar custos de secagem.

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Colheita de trigo

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A qualidade do trigo colhido em 2026 piorou em relação ao ano passado, com queda do peso hectolitro (PH) e aumento da umidade dos grãos, segundo levantamento da Motomco. Entre 1º de agosto e 13 de outubro, só 23,2% das leituras feitas pela empresa atingiram o PH mínimo de 78 quilos por hectolitro (kghl), exigido para a classificação como Tipo 1.

No mesmo período de 2025, 72% das medições alcançaram esse patamar. O levantamento reúne mais de 112 mil leituras de medidores conectados ao sistema da empresa, que comercializa equipamentos de medição para o agronegócio.

PH mediano caiu e umidade aumentou

Os dados mostram que o PH mediano passou de 80,2 kghl, em 2025, para 74,2 kghl neste ano. A umidade mediana subiu de 14,2% para 15,9% no mesmo intervalo.

O Paraná concentrou a maior parte das medições e registrou umidade mediana de 16,4%. No estado, 23,2% das leituras atingiram o PH de 78 kghl. O peso hectolitro relaciona o peso dos grãos ao volume que ocupam e é um dos parâmetros usados na avaliação comercial do trigo.

O PH mínimo, por si só, não garante a classificação como Tipo 1, que também depende de outros critérios de qualidade. A umidade elevada e a redução do PH podem diminuir o valor comercial e limitar o uso industrial do cereal. Conforme as características dos grãos, o trigo pode não atender às especificações para farinha de panificação e, nos casos mais comprometidos, ser destinado à alimentação animal.

Chuvas podem afetar a parte da safra ainda no campo

A colheita continua em parte da região Sul, especialmente nas áreas onde os trabalhos começaram mais tarde. Novas chuvas podem aumentar o risco de deterioração dos grãos ainda no campo.

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Os produtores precisam decidir entre colher com umidade elevada, o que pode exigir secagem e elevar os custos, ou esperar por condições mais favoráveis. A espera, porém, pode expor a lavoura a novos episódios de chuva e afetar características importantes para a classificação comercial.

A qualidade também importa para a indústria moageira, que precisa de trigo adequado a diferentes produtos. Lotes fora das especificações de determinados usos podem perder valor ou ser destinados a outras aplicações. Em um ano em que a disponibilidade de trigo de qualidade já está no radar da indústria brasileira, a deterioração dos grãos pode aumentar a busca por lotes que atendam às exigências dos moinhos, inclusive em países exportadores como Argentina e Paraguai.

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