Tribunais estaduais mantêm supersalários apesar de decisões do STF

Sete tribunais estaduais pagaram acima do teto usando brechas em resoluções do CNJ e do CNMP, mesmo após decisões de Flávio Dino.

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Foto: Antonio Augusto/ STF

O Supremo Tribunal Federal (STF) enfrenta críticas severas por permitir pagamentos que ultrapassam os limites do teto constitucional em casos considerados controversos.

A elevação dos gastos acima da cota estabelecida pelo STF ocorre enquanto o tribunal tenta se distanciar de escândalos recentes — como a polêmica envolvendo o Banco Master e julgamento sobre inquéritos das fake news —, mas planos para conter custos não têm sido eficazes na prática, segundo levantamentos jornalísticos.

Como foram viabilizados supersalários nos tribunais estaduais

Não obstante as decisões tomadas no plenário nacional após despachos liminares feitos por Flávio Dino contra certos tipos de despesas (penduricalhos), sete diferentes tribunais estaduais conseguiram realizar pagamentos que excedem os limites constitucionais.

Isso foi possível por meio do uso estratégico de resoluções do Conselho Nacional de Justiça (CNJ) e do Conselho Nacional do Ministério Público (CNMP).

O resultado é alarmante: um levantamento feito em maio identificou 616 juízes e desembargadores com recebimentos acima do permitido, com casos extremos de R$ 495 mil em um único mês.

Lacunas legais permitem extrapolação salarial

A viabilidade desses pagamentos está ligada à criação dessas brechas nas normas. Embora as decisões anteriores do STF tivessem definido que os ganhos totais poderiam atingir até certo limite — máximo de R$ 78,8 mil sob condições específicas —, essa normativa administrativa abriu espaço para uma série de desvios financeiros nos tribunais locais.

Um artifício utilizado foi justamente alterar nomes e classificações: por exemplo, a assistência pré-escolar passou a ser chamada como “gratificação de proteção à primeira infância e maternidade”. As diretrizes originais sugerem um acréscimo total limitado em 35% sobre o salário base individualmente (como verbas indenizatórias ou quinquênio), mas dados coletados mostraram que os limites foram ignorados pelos magistrados dos estados.

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A falta de clareza entre as determinações judiciais superiores e resoluções administrativas gera lacunas financeiras exploradas para benefício próprio por parte da classe jurídica.

O problema se manifesta na omissão das regras conjuntas: enquanto o STF impõe limite percentual nas férias, a resolução conjunta do CNJ e do CNMP trata apenas do período em dias, sem estabelecer um teto monetário claro; essa ambiguidade permitiu pagamentos inéditos.

Em Rondônia, os dados foram mais expressivos ainda. O tribunal registrou que 38,8% dos seus magistrados receberam valores acima do estabelecido pelas normas federais de controle salarial. Em contraste com esse cenário descontrolado, foi Pernambuco quem apresentou resultados positivos por não ter detectado supersalários durante todo o prazo analisado.

Reação e resistência ao corte de gastos

Apesar das advertências emitidas pelo ministro Flávio Dino — em fevereiro —, estipulando um período máximo de dois meses para todos os órgãos judiciários revisarem suas folhas pagadoras e suspenderem verbas sem amparo legal, a maioria dessas cortes resistiu à medida.

As instituições alegaram que seus repasses estão totalmente alinhados tanto às normas administrativas quanto aos argumentos jurídicos vigentes. O trabalho necessário para conter esses excessos financeiros é muito mais complexo do que se mostrava inicialmente nos bastidores dos ministros.

Atualização em 29/10/2026: o texto foi corrigido.

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