TRF-1 manda CFM e CRM-DF entregarem à família prontuários sobre a internação de Tancredo Neves

Mais de quatro décadas após a morte de Tancredo Neves, a família do presidente eleito em 1985 obteve na Justiça o direito de consultar documentos que podem esclarecer como foi sua internação e quais procedimentos médicos foram feitos antes da morte.
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A 13ª Turma do Tribunal Regional Federal da 1ª Região (TRF-1) decidiu por unanimidade que o Conselho Federal de Medicina (CFM) e o Conselho Regional de Medicina do Distrito Federal (CRM-DF) devem fornecer registros do atendimento ao político. A decisão, porém, não afirma que houve negligência ou falha no tratamento.
O que a família quer esclarecer
Entre os papéis pedidos estão prontuários, relatórios médicos e informações sobre processos ético-profissionais contra integrantes da equipe que cuidou de Tancredo. A intenção é apurar suspeitas de erro médico levantadas pelos familiares, sobretudo sobre a necessidade das cirurgias e sobre as complicações que vieram depois.
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Uma das dúvidas centrais diz respeito à cirurgia de emergência feita na véspera da posse, prevista para 15 de março de 1985. Tancredo havia sido internado em Brasília com um quadro abdominal grave, inicialmente ligado a uma inflamação intestinal.
Nas semanas seguintes, ele passou por novos procedimentos, teve complicações e morreu em 21 de abril.
As desconfianças ganharam força com o livro O Paciente: O Caso Tancredo Neves, de Luís Mir, publicado em 2010. Depois de pesquisar o caso com autorização da família, o autor questionou as decisões da equipe médica, como a indicação de uma operação imediata, as condições em que os procedimentos ocorreram e possíveis falhas na recuperação.
Questionamentos sobre a sala cirúrgica e os conselhos
O livro também aponta a presença de um grande número de pessoas na sala cirúrgica como um dos pontos a serem esclarecidos. Outro interesse dos familiares são os registros de eventuais advertências que o conselho regional tenha aplicado aos médicos envolvidos.
Até agora, essas hipóteses não foram comprovadas de forma conclusiva. A decisão judicial garante o acesso aos documentos, mas não estabelece responsabilidade de ninguém.
Como a morte de Tancredo marcou a transição
Tancredo foi eleito presidente em janeiro de 1985, em eleição indireta pelo Colégio Eleitoral, depois de derrotar Paulo Maluf. A vitória encerrava o ciclo de presidentes militares e abria caminho para o retorno do governo civil. A internação na véspera da posse, porém, impediu que ele assumisse o cargo.
Quem tomou posse em 15 de março daquele ano foi o vice-presidente eleito, José Sarney. Durante mais de um mês, a população acompanhou a evolução do estado de saúde de Tancredo. As sucessivas cirurgias, os boletins médicos e a expectativa por uma recuperação alimentaram dúvidas que continuaram depois da morte.
Sarney governou durante a redemocratização, período marcado pela convocação da Assembleia Constituinte e pela promulgação da Constituição de 1988.
Acesso não significa divulgação pública
Para a família, a liberação dos registros permite reconstruir com mais precisão o tratamento recebido por Tancredo e responder a questionamentos acumulados desde 1985. A análise desse material pode trazer informações novas sobre as decisões médicas tomadas durante a internação.
Os documentos, no entanto, ficarão disponíveis aos familiares. Não há divulgação automática e irrestrita ao público.
Editoria:
Redação Brasil
A Redação Brasil reúne a cobertura do Clique Fatos sobre o noticiário das cidades e dos estados brasileiros. As matérias são produzidas com apoio de inteligência artificial a partir de agências e veículos citados no texto. Encontrou um erro? Escreva para [email protected].



