Trabalhadores indígenas denunciam exploração nas safras do RS

Jovens indígenas relatam ao TRT-4 jornadas exaustivas, salários de R$ 50 por dia e exposição a agrotóxicos nas safras do RS.

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Foto: Reprodução

Trabalhadores indígenas denunciam exploração nas safras do Rio Grande do Sul

A realidade enfrentada por trabalhadores indígenas no Rio Grande do Sul é marcada por promessas quebradas e condições precárias. A frase do jovem indígena Guarani, Aldo Benítez Mariano, de 18 anos, resume a situação: “A gente vai para ajudar a família, mas acaba sendo explorado”.

Durante uma escuta coletiva realizada no Tribunal Regional do Trabalho da 4ª Região (TRT-4), em Porto Alegre, trabalhadores relataram experiências de exploração e violação de direitos, evidenciando a necessidade de ações concretas.

A audiência, promovida em conjunto pelo Conselho Estadual de Direitos Humanos (CEDH-RS) e pelo TRT-4, a partir da demanda da Comissão Guarani Yvyrupa, homenageou o jovem Aldo Ferreira, da Tekoa Ko’enju, de São Miguel das Missões, que faleceu em 2025.

A iniciativa visava garantir escuta e avançar em soluções para a situação, que se agrava com a precarização dos territórios indígenas e a falta de políticas públicas.

Condições de trabalho precárias e denúncias de exploração

Os relatos dos trabalhadores indígenas revelam jornadas exaustivas, remunerações baixas e condições de moradia e alimentação precárias. Muitos recebem apenas R$ 50 por dia, trabalhando de 10 a 12 horas por dia, e enfrentam exposição a agrotóxicos sem proteção.

A situação se agrava com a contratação informal e a intermediação por aliciadores, ampliando a vulnerabilidade dos trabalhadores.

“Trabalhamos sem direitos e sem proteção”, denunciou Helio Gimenes Fernandes, coordenador da Comissão Guarani Yvyrupa. Ele destacou que a exploração do povo Guarani remonta à colonização e que a situação atinge principalmente jovens que deixam suas comunidades para trabalhar em safras agrícolas. “Eles vão para a uva, a azeitona, a hortaliça, mas recebem muito pouco”, afirmou.

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Reações e recomendações

As denúncias apresentadas pelas lideranças indígenas foram corroboradas por dados sistematizados em um relatório recente. Patrícia Ferreira, irmã de Aldo Ferreira, destacou a importância do projeto idealizado pelo irmão, que visava dar visibilidade a uma realidade que era invisibilizada. “Esse era um sonho dele.

Hoje, conseguimos dar visibilidade a uma realidade que era invisibilizada”, relatou.

Eloir Oliveira, coordenador do Conselho de Articulação do Povo Guarani do Rio Grande do Sul, cobrou maior atuação das autoridades e apontou que a inserção em trabalhos sazonais está ligada à precarização dos territórios. “Muitas vezes voltamos com as mãos vazias”, afirmou.

Conclusões e próximos passos

O relatório aponta que a saída de jovens indígenas para as colheitas é comum em diversas aldeias, devido à falta de espaço ou condições adequadas para garantir a subsistência tradicional. A demora na demarcação de terras, somada à ausência de políticas públicas, limita o acesso à renda e ao trabalho formal.

As denúncias de exploração e violação de direitos devem impulsionar ações judiciais e a criação de mecanismos de proteção aos trabalhadores indígenas.

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