Tornozeleiras e medo: haitianos nos EUA enfrentam incertezas após fim de proteção contra deportação
A incerteza e o medo dominam as comunidades haitianas nos EUA, que agora enfrentam a possibilidade de deportações após o fim do Status de Proteção Temporária.
Moradores de comunidades haitianas nos Estados Unidos enfrentam uma nova realidade de medo e incerteza após a decisão da Suprema Corte que permitiu ao governo Trump encerrar as proteções contra deportação para cerca de 350 mil haitianos. Em Boston, uma enfermeira se isolou em casa temendo a ação de agentes do ICE.
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Enquanto isso, em Springfield, Ohio, uma mãe expressou sua angústia em uma mensagem para uma amiga: “Minha filha está completamente traumatizada”.
A situação se agravou com relatos de carros abandonados em postos de gasolina no leste de Maryland, com motor desligado e passageiros desaparecidos. A Dra. Marie D. Fouché, fundadora da Safe Harbor Circles, destacou que muitas pessoas saíram para fazer compras e não retornaram.
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Desde que o fim do Status de Proteção Temporária (TPS) foi anunciado, o pânico tomou conta das comunidades que ainda alimentavam esperanças de uma reviravolta.
Impactos do fim do TPS nas comunidades
A insegurança se espalhou entre os ex – beneficiários do TPS. Vilès Dorsainvil, cofundador do Haitian Community Help and Support Center em Springfield, lamentou: “Agora não temos proteção. Qualquer coisa pode acontecer a qualquer momento.” Embora as autoridades federais não tenham revelado números sobre detenções, o secretário de Segurança Interna, Markwayne Mullin, afirmou que operações contra haitianos estão em andamento. “Estamos indo atrás deles agora”, disse ele à News Nation.
De acordo com informações recebidas pela Haitian Bridge Alliance, pelo menos cinco pessoas relataram detenções em estados como Arizona e Califórnia na última semana. Guerline Jozef, diretora – executiva da organização, ressaltou que a apreensão é crescente: “O medo é que os números aumentem.”
Na cidade de Springfield, onde vivem cerca de 15 mil haitianos, líderes comunitários afirmam que ainda não perceberam um aumento significativo nas prisões pelo ICE. Contudo, as cartas enviadas pelo Departamento de Segurança Interna (DHS) têm gerado apreensão na comunidade.
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Essas notificações convocam imigrantes a comparecerem aos escritórios do ICE e muitos acabam sendo obrigados a usar tornozeleiras eletrônicas como parte do programa conhecido como “alternativas à detenção”.
Desafios enfrentados pelos haitianos nos EUA
A enfermeira de 29 anos que trabalha em um dos principais hospitais de Boston viveu momentos difíceis desde o anúncio do fim do TPS. Com a expiração da sua autorização de trabalho na semana passada, ela se afastou da função e passou a buscar oportunidades no exterior.
Para muitos como ela, o retorno ao Haiti é impensável devido à escalada da violência e à falta de segurança no país.
“Não há empregos… É simplesmente muito inseguro”, desabafou a profissional que pediu anonimato por questões de segurança. Ela mencionou ainda os sentimentos conflitantes que vem enfrentando: raiva e frustração são apenas algumas das emoções dessa trajetória marcada por incertezas.
A perda repentina dos funcionários haitianos também impactou severamente diversas empresas nos Estados Unidos. Rebecca Shi, diretora – executiva da American Business Immigration Coalition, apontou que pelo menos dois negócios enfrentaram dificuldades significativas após o fim do TPS: um resort na Flórida perdeu mais de 150 funcionários e um centro para idosos em Massachusetts teve uma redução drástica na equipe.
A situação socioeconômica
A presença reduzida dos haitianos nas ruas é notada por líderes comunitários e defensores dos direitos dos imigrantes. Em Salisbury, muitos trabalhadores se esconderam com medo das ações do ICE. David Duchatellier, dono de uma agência de viagens no Brooklyn, observou um movimento significativamente menor em seu negócio devido ao receio generalizado entre os haitianos.
Duchatellier está mobilizando esforços junto ao Congresso para encontrar soluções legislativas para ajudar os imigrantes haitianos afetados pelas novas medidas restritivas. Ele acredita que o governo deve reconsiderar suas políticas antes que seja tarde demais: “Você não causou isso, mas pode resolver.”
Judith Polidor, assistente jurídica no Little Haiti, relatou o sofrimento diário das pessoas que buscam ajuda: “É tristeza o dia inteiro… Eles precisam de alguém que simplesmente os escute.” O clima tenso nas comunidades reflete a urgência por apoio nesse momento crítico.