Terremotos deixam oito mortos e destruição em El Junquito, nos arredores de Caracas

Moradores de El Junquito e La Toma enfrentam desalojamento, riscos estruturais e incerteza sobre a reconstrução.

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Bairro Las Tapias, em El Junquito, fica sobre uma ravina bastante instável | Foto: Reprodução

A situação em El Junquito, nos arredores de Caracas, e na vizinha La Guaira está no centro de um relato sobre os impactos dos terremotos de junho de 2026 na Venezuela. A reportagem percorreu as ruas e ouviu moradores, conselhos comunais, autoridades e vítimas do desastre.

Impactos imediatos nos bairros

Entre os danos estão uma escola completamente destruída e um bairro evacuado. Segundo o Estado, cerca de 63 mil pessoas vivem na região de El Junquito, 20 mil delas no trecho central, entre os quilômetros 4 e 7 da estrada principal.

Foram registradas oito mortes nas paróquias da região, além de 35 feridos graves levados aos hospitais El Algodonal e Pérez Carreño, que estão preparados para atender apenas casos leves ou moderados.

Depois do trabalho inicial da Defesa Civil com moradores e policiais, as autoridades decidiram adiar buscas mais profundas sob os escombros, por considerarem instável demais o uso de maquinário pesado na área, para não colocar em risco a vida dos socorristas.

Vulnerabilidade estrutural

Um grande desafio é a comunidade vizinha de La Toma, classificada como área de alto risco por causa da erosão do solo, agravada pela drenagem de granjas de suínos e pela falta de canalização de esgoto.

Após o terremoto, a tarefa dos órgãos públicos foi convencer os moradores de que suas casas não eram seguras; muitos resistiam a sair por falta de garantia de que receberiam novas moradias.

Outro ponto crítico é a principal rua comercial do bairro Las Tapias, que ficou intransitável. Muitos comércios fecharam porque a via foi construída sobre uma ravina vulnerável.

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Logística humanitária

O apoio logístico foi intenso, mas descentralizado: não há um centro único de coordenação em El Junquito, e a organização tem sido feita pelos próprios moradores. Mesmo com a interrupção da energia elétrica e das telecomunicações por pelo menos 24 horas, a comunidade se mobilizou rapidamente, e bombeiros e policiais chegaram à área comercial depois de ouvir gritos vindos dos escombros.

As famílias desalojadas enfrentam o desafio da realocação. Servidores públicos estudam alternativas, como a sede da Unes, para abrigar as pessoas, mas ainda não havia confirmação de quais espaços estariam prontos.

A recuperação econômica também preocupa: a rua comercial reunia 40 estabelecimentos formais, com pelo menos 20 trabalhadores cada, além dos vendedores ambulantes.

Necessidades futuras

Os moradores enfrentam duas grandes questões: o destino dos desalojados de La Toma, que ainda não têm garantia de moradia, e a reativação econômica da rua comercial.

A reportagem ouviu, entre outros, a líder comunitária Lilian Vera, o médico Carlos Requena, diretor do CDI Codazzi, e a prefeita de Caracas, Carmen Meléndez.

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