Terremoto na Colômbia danifica mais de 3.400 escolas e Shakira anuncia planos de reconstrução

O terremoto que atingiu a Colômbia deixou um rastro devastador, afetando não apenas o número de mortos e casas desabadas, mas também impactando profundamente a educação no país. Mais de 3.400 centros educacionais, incluindo escolas e colégios, foram danificados, especialmente nas áreas rurais mais vulneráveis.
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Durante uma visita a Quibdó, uma das cidades mais afetadas, a cantora Shakira anunciou planos para reconstruir a Universidade Tecnológica de Chocó e construir dez novas escolas. Ela também se comprometeu a mobilizar várias organizações para arrecadar fundos para as instituições educacionais.
A artista expressou sua preocupação com o futuro das crianças afetadas pela tragédia, alertando que muitos podem ficar desabrigados e sem acesso à educação. “É fundamental garantir que nossas crianças possam voltar à escola”, afirmou Shakira.
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Desafios da infraestrutura escolar
A situação das escolas rurais na Colômbia é alarmante. Ricardo Bonett, doutor em engenharia sísmica e professor da Universidade de Medellín, destacou a grande disparidade entre a infraestrutura urbana e rural. Ele explicou que muitas escolas foram construídas sem atender aos requisitos técnicos necessários e sem supervisão adequada. “Uma porcentagem significativa foi projetada em áreas geologicamente instáveis ou sujeitas a fenômenos naturais como enxurradas”, disse Bonett.
Além disso, ele enfatizou que as condições adversas do solo e a falta de manutenção preventiva agravam os problemas enfrentados pelas escolas rurais. O Ministério da Educação já anunciou diretrizes para proteger as comunidades educativas e garantir a continuidade do serviço escolar, incluindo medidas como planos de aulas virtuais e programas de apoio psicológico.
Apesar dos esforços, há preocupações sobre a eficácia dessas medidas em regiões com baixa conectividade e problemas no fornecimento de energia elétrica. De acordo com María Mercedes Liévano, diretora executiva da ONG Save The Children na Colômbia, dezenas de milhares de estudantes estão sem previsão de retorno às aulas. “Precisamos garantir que essa tragédia não interrompa o acesso seguro à educação”, ressaltou Liévano.
Dados alarmantes sobre escolas rurais
A Colômbia possui mais de 56 mil edifícios escolares, sendo 82% localizados em áreas rurais. Essa realidade dificulta inspeções e manutenções adequadas nas estruturas educacionais. Gilberto Areiza, presidente da Associação Colombiana de Engenharia Sísmica, apontou que apesar da legislação exigir redução da vulnerabilidade das edificações escolares, o progresso é lento devido à falta de recursos financeiros.
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Areiza acrescentou que as escolas devem receber prioridade nas intervenções estruturais porque muitas delas servirão como abrigos em situações de emergência. Um estudo recente revelou que uma em cada sete escolas rurais analisadas apresentava construção não engenheirada.
Pesquisas indicam uma correlação entre pobreza multidimensional e risco sísmico nas escolas, mostrando que as instituições mais vulneráveis estão localizadas em regiões com altos índices de desigualdade social e conflitos armados. Bonett afirmou que ao longo dos últimos anos visitou centenas de escolas rurais e constatou seu estado precário mesmo antes do terremoto.
A necessidade urgente de investimentos
Com as normas sísmicas do país desatualizadas há 16 anos, especialistas exigem investimentos urgentes em hospitais e instituições educacionais públicas. Areiza lembrou que as crianças são o futuro da nação e perder vidas infantis devido ao colapso escolar é inaceitável. “Não podemos nos dar ao luxo de ter falecidos por causa desses desastres”, finalizou Areiza.
Autor(a):
Gabriel Furtado
Gabriel é economista e jornalista, trazendo análises claras sobre mercados financeiros, empreendedorismo e políticas econômicas. Sua habilidade de prever tendências e explicar dados complexos o torna referência para quem busca entender o mundo dos negócios.



