Tempo de tela está ligado a pior desenvolvimento infantil, aponta estudo com 3 milhões de crianças
Estudo com 3 milhões de crianças mostra que exposição universal às telas agrava impactos na fala e no aprendizado.
Um novo estudo publicado na revista JAMA Pediatrics confirma o que muitos pais já desconfiavam: o tempo que as crianças passam em frente a telas está diretamente ligado a um desenvolvimento infantil mais fraco. A pesquisa, que revisou décadas de estudos e analisou quase três milhões de crianças de até 18 anos em 64 países, aponta que os impactos negativos aparecem na aprendizagem, na fala e na regulação emocional dos pequenos.
O levantamento foi conduzido por pesquisadores liderados pela autora sênior Sheri Madigan, professora de psicologia da Universidade de Calgary, no Canadá. Ela afirmou à CNN na terça – feira (29) que os estudos mais recentes trazem evidências ainda mais fortes dessa associação do que as pesquisas antigas.
Impacto pequeno, mas significativo
Madigan reconhece que a maioria das correlações encontradas foi relativamente pequena. “Isso é parecido com a maioria dos outros preditores do desenvolvimento infantil”, explicou. Mas ela fez uma ressalva importante: “Pequeno não significa sem sentido, especialmente quando falamos de uma exposição como o tempo de tela, que é quase universal na vida das crianças.”
A professora destaca que a própria natureza do tempo de tela mudou radicalmente nas últimas décadas. Há vinte anos, uma criança passava uma hora assistindo a um programa de televisão, uma experiência passiva. Hoje, os dispositivos estão por toda parte, são interativos e respondem ao toque e à voz do usuário.
“Precisamos entender melhor não apenas como as crianças interagem com a tecnologia, mas como a tecnologia interage com as crianças”, disse Madigan. A fala dela aponta para um desafio novo: as telas atuais não são apenas uma distração, mas um ambiente que responde ativamente à criança, o que pode tornar o vício ainda mais sutil e difícil de controlar.
O que muda com a tecnologia moderna
A pesquisa revisou dados de 64 países, o que dá uma dimensão global ao problema. A conclusão é que, independentemente da cultura ou do nível de desenvolvimento do país, a exposição excessiva às telas aparece como um fator consistente de risco para o desenvolvimento infantil.
Para os pais, o recado é claro: o problema não é só o tempo, mas o tipo de interação. As telas de hoje são envolventes e responsivas, o que pode roubar a atenção das crianças de atividades fundamentais, como brincar ao ar livre, interagir com outras pessoas e até mesmo dormir.
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A pesquisa sugere que monitorar não apenas a quantidade, mas a qualidade do que a criança consome na tela, pode ser o próximo passo para mitigar os danos.