Teatro de Arena reabre em Porto Alegre após três anos de obras
O Teatro de Arena volta a receber público nesta quarta-feira (1º), em Porto Alegre. O porão escavado nos altos do viaduto Otávio Rocha retoma sua programação gratuita e diversificada após um fechamento que durou três anos para obras.
A reabertura promete uma noite intensa no Centro Histórico, com apresentações gratuitas: música ao vivo com a Banda Bate Sopra no viaduto, a performance circense “Entre Chamas” nas escadarias da entrada principal e atividades de dança e teatro dentro do espaço histórico. Segundo a Secretaria estadual da Cultura (Sedac), o espaço passou recentemente pela renovação elétrica em parte de seu processo de requalificação. A pasta informou ainda que novas fases estão sendo estudadas, visando contemplar melhorias como acessibilidade plena e qualificação estética.
Programações desta quarta: música, circo e resistência
A noite começa às 18h, com show da Banda Bate Sopra no viaduto Otávio Rocha. Em seguida, há uma performance circense “Entre Chamas”, realizada nas escadinhas do local por Guilherme Gonçalves e Vinicius Alves. O público também poderá assistir à Plural Cia de Dança no Teatro de Arena; a Nós Cia. de Teatro apresenta o espetáculo “Liberdade” mais tarde, na mesma semana. A programação segue até os pronunciamentos das autoridades pelas 19h10.
Para quem busca cultura além dos palcos principais, haverá música ao vivo conduzida pelo DJ Luan ‘Serviço’ às 19:30 horas no próprio viaduto Otávio Rocha. O secretário estadual da Cultura, André Kryszczun, deve participar formalmente deste ato inaugural.
Além disso, durante todo mês de julho, as atividades do teatro seguirão com ingresso solidário mediante a doação de roupas para realizar uma Campanha do Agasalho localizada na região central.
O Teatro de Arena e seu papel histórico de resistência cultural
Mais que um simples palco, o Teatro de Arena carrega uma história ligada à cultura crítica em Porto Alegre. Sua trajetória fez dele um dos símbolos mais fortes da organização coletiva artística no estado.
O espaço foi inaugurado em 17 de outubro de 1967, em plena ditadura militar, por iniciativa do Grupo de Teatro Independente (GTI). O GTI era formado por artistas renomados na época, incluindo Jairo de Andrade, Araci Esteves, Alba Rosa, Câncio Vargas, Hamilton Braga e Edwiga Falej. A peça que marcou a estreia chamou-se “O Santo Inquérito”, escrita por Dias Gomes; uma obra já marcada desde o início pelo tom denunciatório contra perseguições.
Nascido em um subsolo no edifício Duque de Caxias com acesso pelas escadarias do viaduto Otávio Rocha, sua construção foi feita coletivamente pelos próprios artistas envolvidos nos projetos culturais daquele tempo.
Desde os primeiros anos até 1985, ele manteve seu papel como núcleo vital para debate político e criação artística crítica na cidade. Hoje, textos censurados naquele período fazem parte do Acervo Sonia Duro, coleção que reúne mais de 600 autores e cerca de 1,2 mil publicações, digitalizada em 2022.
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