Taxas de juros caem após Tesouro dos EUA dobrar recompras de títulos de longo prazo

A redução nas taxas de juros reflete a confiança do mercado após a decisão do Tesouro dos EUA, indicando um possível alívio financeiro a longo prazo.

Prédio do Departamento do Tesouro dos Estados Unidos em Washington

Na quarta – feira, 19 de outubro de 2026, o mercado local de juros futuros teve suas movimentações influenciadas pela dinâmica externa, mesmo sem uma reação significativa à ata da última reunião do Federal Reserve (Fed), o banco central dos Estados Unidos.

As taxas de juros apresentaram quedas em bloco, especialmente nas maturidades mais longas, após o Departamento do Tesouro americano decidir dobrar as recompras de títulos soberanos de longo prazo devido ao estresse observado nesse segmento.

Ao final do dia, a taxa do contrato de Depósito Interfinanceiro (DI) para janeiro de 2027 caiu de 13,749% para uma mínima intradia de 13,72%. O DI para janeiro de 2029 também registrou queda, encerrando a negociação em 14,195%, abaixo dos 14,336% do ajuste anterior.

Já o DI para janeiro de 2031 fechou a 14,5%, caindo de 14,643%.

Movimentações no mercado americano

Por volta das 18 horas, o retorno dos títulos do Tesouro americano com prazo de dez anos diminuiu para 4,646%, ante os 4,710% anteriores. No mesmo sentido, o rendimento dos títulos com vencimento em 30 anos recuou para 5,192%, caindo de 5,284%. Essa tendência ocorre em um momento em que três dos doze dirigentes do Fed votaram a favor de um aumento imediato na taxa dos Fed Funds em julho.

A ata da última reunião do Comitê de Mercado Aberto (FOMC) ganhou destaque ao mencionar que “vários” participantes estavam favoráveis a uma elevação das taxas. Isso sugere que pelo menos dois dos cinco presidentes regionais que não votam também teriam apoiado essa alta.

No entanto, os rendimentos dos Treasuries continuaram a mostrar alívio. Ariane Curtis, economista sênior da consultoria britânica Capital Economics, avaliou que a ata confirmou uma inclinação maior por parte do comitê para um aperto monetário desde junho.

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Contudo, dados recentes sobre inflação e mercado de trabalho indicam que aumentos nas taxas não são iminentes.

Análise das expectativas futuras

Marianna Costa, economista – chefe da Mirae Asset, comentou que o impacto da ata nos preços foi limitado tanto nos EUA quanto no Brasil. Segundo ela, as apostas do mercado para a próxima reunião do FOMC em setembro praticamente não mudaram. Com aproximadamente 65% das expectativas apontando para manutenção da taxa inalterada novamente, isso se destaca considerando que logo após a reunião anterior havia uma probabilidade significativa de aumento.

A economista acrescentou que é relevante observar como os três dissidentes votarão na próxima reunião e se haverá um apoio maior entre os membros do colegiado. Apesar disso, a medida adotada pelo Tesouro dos EUA foi o principal fator responsável pela queda nas taxas futuras nesta quarta – feira.

A recompra maior é vista como uma tentativa de dar suporte às taxas longas após a recente disparada nos rendimentos dos papéis de longo prazo.

Costa enfatiza que mesmo com as quedas nos títulos americanos nesta quarta – feira, questões como o alto endividamento público e os conflitos no Oriente Médio continuam a preocupar os investidores. Esse cenário resulta em uma preferência por prazos mais curtos.

Além disso, os contratos futuros de petróleo fecharam em leve alta nesta quarta – feira. O ceticismo crescente sobre um possível acordo entre EUA e Irã contribuiu para essa movimentação. O barril do Brent para outubro subiu 0,66%, alcançando US 91,62.