Mesmo sabendo que é de mentira, o corpo reage primeiro ao susto no Halloween, diz Tatiana Vainboim
Fantasmas, monstros e sustos viram diversão no Halloween. Mas, se o medo é um mecanismo de defesa, por que procuramos o susto de propósito? Segundo a psicóloga Tatiana Vainboim, especialista em Psicologia Hospitalar pelo CFP (Conselho Federal de Psicologia), a resposta está no contexto, já que a mente reage de forma diferente a uma ameaça real e a um perigo controlado.
Ao assistir a um filme de terror ou entrar em uma atração de Halloween, a pessoa pode sentir tensão, susto e aceleração dos batimentos. Ao mesmo tempo, porém, há uma informação que pesa: ela sabe que aquilo faz parte de uma experiência controlada.
Para a psicóloga, é assim que se consegue viver o medo sem estar, de fato, diante do perigo que a cena representaria.
Por que o corpo reage mesmo sabendo que é ficção
Saber que a situação está sob controle não impede o susto. Um monstro que é apenas um ator fantasiado ainda pode fazer alguém pular quando aparece de repente.
Diante de um estímulo inesperado, ou que pareça ameaçador, o organismo pode disparar uma resposta de alerta em poucos instantes. O coração acelera, a respiração muda e os músculos ficam tensos. A constatação de que era só um susto vem depois dessa primeira reação.
Por isso, segundo a psicóloga, o corpo não espera uma análise racional longa para agir. Ele reage primeiro e só então a pessoa consegue contextualizar o que viu, mesmo quando a explicação é coerente.
Do susto ao riso: a alternância que torna o medo divertido
Quem já gritou de susto e começou a rir segundos depois passou por algo comum. A psicóloga afirma que o riso costuma aparecer justamente quando a tensão cai e a pessoa percebe que a ameaça não era real.
Essa alternância entre tensão e alívio é o que transforma experiências assustadoras em momentos divertidos para algumas pessoas. Em muitos casos, a diversão chega a despertar a vontade de repetir a dose, mesmo com o medo que vem pela frente. Depois de sair de uma montanha-russa ou de uma casa mal-assombrada, por exemplo, é comum ouvir: “vamos de novo?”
As experiências de medo controlado podem trazer excitação, novidade e a sensação de ter superado um desafio. Nesses casos, a pessoa escolhe entrar na situação sabendo que ela tem começo, meio e fim, o que mantém certo grau de controle.
Nem todo mundo se diverte com o terror
Apesar da animação e da adrenalina, nem todo mundo acha graça em sentir medo. Há quem considere um filme assustador uma experiência extremamente desagradável.
Segundo a psicóloga, a reação do organismo pode ser influenciada por história pessoal, experiências anteriores, sensibilidade individual, contexto e sensação de controle. Por isso, uma casa de terror pode ser divertida para uma pessoa e provocar tanto desconforto em outra que elimine qualquer sensação de prazer.
Para Tatiana Vainboim, esse é o grande paradoxo da data: “Talvez seja esse o grande paradoxo do Halloween: queremos sentir medo, desde que possamos confiar que, quando a brincadeira terminar, estaremos seguros.”
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Redação Saúde e Educação
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