Tarcísio e Haddad nacionalizam debate sobre controle fiscal e emprego

O segundo bloco do debate entre os candidatos ao governo de São Paulo, Fernando Haddad (PT) e Tarcísio de Freitas (Republicanos), foi dominado por trocas de acusações sobre controle fiscal e geração de empregos. A discussão rapidamente ultrapassou as fronteiras do estado e mergulhou em temas nacionais, como a gestão econômica do governo federal e as heranças deixadas pela administração anterior.
CONTINUA DEPOIS DA PUBLICIDADE
O petista abriu as perguntas direcionando um questionamento ao atual governador sobre uma suposta “caixa – preta” no TCE (Tribunal de Contas de Estado) que listaria pessoas físicas e jurídicas beneficiadas com isenções fiscais. Tarcísio rebateu afirmando que sua gestão já cortou “todos aqueles benefícios que não faziam sentido”.
Ele citou a nota fiscal paulista como exemplo de transparência, que, segundo ele, detalha os benefícios de cada produto.
CONTINUA DEPOIS DA PUBLICIDADE
Da transparência fiscal às mães atípicas
Na sequência, Tarcísio devolveu a pergunta e questionou Haddad sobre sua proposta para as mães atípicas. Antes de responder, o ex – prefeito voltou ao tema dos benefícios fiscais, citando a transparência da Receita Federal em relação às empresas que recebem isenção.
Ele então comentou sobre sua visita a mães atípicas na capital paulista, criticando a falta de acompanhamento de profissionais para seus filhos nas escolas da rede estadual.
Na tréplica, o candidato à reeleição comparou Haddad ao “Pinóquio”. Tarcísio disse que contratou mais assistentes para os colégios, contrariando, segundo ele, uma recomendação do Ministério da Educação. A troca de farpas escalou rapidamente, misturando dados estaduais com promessas de campanha.
Nacionalização do debate e ajuste fiscal
No meio do bloco, Tarcísio listou empresas como Casas Bahia, Marabraz e Habibs, que estão em recuperação judicial, para questionar Haddad sobre a necessidade de um ajuste fiscal. O petista, que foi ministro da Fazenda, nacionalizou o debate. Ele citou os custos que o governo federal teve com os calotes de precatórios herdados da gestão de Jair Bolsonaro (PL) e a alta taxa de juros como fatores que pressionam as contas públicas.
Leia também
Haddad argumentou que a situação fiscal está sendo ajustada pelo governo federal “sem vender estatal”. Em defesa da gestão Bolsonaro, Tarcísio lembrou que o governo passou por uma pandemia e criticou o arcabouço fiscal feito pelo PT, que, segundo ele, não foi cumprido.
O governador classificou a postura do adversário como “negacionismo fiscal”.
O petista se defendeu citando a reforma tributária e o baixo índice de desemprego do atual mandato. Ele ainda questionou se o próximo mandato gostaria de emular a gestão econômica do presidente da Argentina, Javier Milei. Ao retomar a discussão estadual, Haddad apontou um déficit orçamentário nas contas do estado e um crescimento de apenas 0,5% ao ano.
Tarcísio respondeu afirmando que seu mandato registrou superavit e queda da dívida paulista. Ele devolveu a responsabilidade fiscal para a União. “A gente não pode comparar abacaxi com laranja”, retrucou o governador, encerrando o embate sobre as finanças.
Autor(a):
Ricardo Tavares
Fluente em quatro idiomas e com experiência em coberturas internacionais, Ricardo Tavares explora o impacto global dos principais acontecimentos. Ele já reportou diretamente de zonas de conflito e acompanha as relações diplomáticas de perto.



