Tamponamento cardíaco: entenda a condição que matou professora de 26 anos no RJ

A professora Giulia Silva de Araújo, de 26 anos, morreu por tamponamento cardíaco na última quarta – feira (2), depois de receber alta duas vezes seguidas após ser diagnosticada com ansiedade. Especialistas ouvidos pela CNN Brasil explicaram que falta de ar e palpitações podem aparecer tanto em crises de ansiedade quanto na condição cardíaca.
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O tamponamento cardíaco é provocado pelo acúmulo de líquido ou sangue no pericárdio, membrana que envolve o coração. A pressão sobre o órgão prejudica o bombeamento do sangue e, dependendo da velocidade do acúmulo, pode levar a uma emergência com risco de morte.
O que causa o tamponamento cardíaco
De acordo com o cardiologista Vagner Vinícius, o aumento da pressão no espaço ao redor do coração dificulta que o órgão se encha e bombeie sangue adequadamente. O tamponamento costuma aparecer como complicação de outras doenças ou situações que provocam derrame pericárdico.
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Entre as possíveis causas estão doenças autoimunes, infecções, câncer e condições associadas à retenção de líquidos. Por isso, o perfil dos pacientes varia conforme o problema responsável pelo acúmulo de líquido ou sangue.
O trauma físico também pode desencadear o quadro. Ronaldo Gismondi, cardiologista e diretor médico da Afya Educação Médico, citou como exemplo acidentes de trânsito graves em que a pessoa, sem cinto de segurança, bate o peito contra o volante.
Ele reforçou, porém, que esse não foi o caso de Giulia Silva de Araújo.
Apesar da gravidade, o tamponamento cardíaco é considerado raro e não costuma ocorrer habitualmente. Os sinais incluem falta de ar, cansaço intenso, dor no peito, palpitação e sensação de desmaio. A intensidade do quadro depende principalmente da rapidez com que o líquido se acumula, e não apenas da quantidade.
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Diferenças entre ansiedade e problema cardíaco
Ronaldo Gismondi explicou que o tamponamento pode ser confundido com crises de ansiedade porque as duas situações provocam sintomas semelhantes. Na ansiedade, o sistema de estresse é ativado, a pressão arterial tende a subir e as veias permanecem normais.
No tamponamento cardíaco, ocorre o contrário: a pressão arterial cai e as veias ficam visivelmente dilatadas, já que o sangue acumulado não consegue retornar ao coração. O diagnóstico é feito por meio de um ecocardiograma, exame semelhante a um ultrassom que mostra o líquido e a compressão do órgão.
Em situações de emergência, uma das opções é a pericardiocentese. Uma agulha é introduzida até o espaço pericárdico para retirar o líquido acumulado. Depois, o cirurgião cardíaco pode pedir uma tomografia, além do ecocardiograma, para avaliar o caso com mais detalhes.
Cuidados e acompanhamento médico
Os especialistas afirmam que o tamponamento não é uma doença específica, mas uma complicação relacionada a outras condições de saúde. A orientação é observar os sinais do corpo e manter os exames de rotina em dia.
Vagner Vinícius recomenda o acompanhamento de doenças que podem causar derrame pericárdico, como problemas inflamatórios, infecções e doenças renais. Pessoas que passaram por cirurgias ou procedimentos cardíacos também precisam manter acompanhamento médico.
Como se trata de uma condição incomum, a confusão com ansiedade pode acontecer. Para Ronaldo Gismondi, essa possibilidade reforça a necessidade de buscar ajuda médica especializada rapidamente diante dos sintomas.
Autor(a):
Bianca Lemos
Ambientalista desde sempre, Bianca Lemos se dedica a reportagens que inspiram mudanças e conscientizam sobre as questões ambientais. Com uma abordagem sensível e dados bem fundamentados, seus textos chamam a atenção para a urgência do cuidado com o planeta.



