Suspeito preso por feminicídio de estudante espanhola morta a facadas no México

Suspeito foi detido e deve responder por feminicídio qualificado, crime que chocou comunidades acadêmicas dos dois países.

Claudia Tocoronte, estudante espanhola que foi morta em tentativa de assalto no México, onde fazia intercâmbio

Um homem foi preso e deve responder por feminicídio pelo assassinato da estudante espanholaClaudia Tacoronte Aguilera, morta a facadas no México durante uma tentativa de assalto. O caso, que chocou comunidades acadêmicas da Espanha e do México, ocorreu no sábado (12) em Cuautla, cidade do estado de Morelos, próximo à Cidade do México.

Claudia, de 21 anos, cursava Educação Infantil na Universidade de Granada (UGR), na Espanha, e estava no México havia apenas um mês. Ela participava de um programa de intercâmbio na Universidade Autônoma do Estado de Morelos (UAEM). A prefeitura de Santa Brígida, cidade natal da jovem em Gran Canaria, lamentou a tragédia. “Claudia havia iniciado essa jornada acadêmica com o entusiasmo de uma jovem construindo seu futuro”, diz a nota.

Prisão e investigação do caso

As autoridades de segurança mexicanas prenderam Francisco Javier “N.” na quinta – feira (17). O Ministério Público de Morelos informou que ele será acusado de feminicídio— assassinato intencional de uma mulher por razões de gênero. A CNN tenta apurar se o suspeito já tem advogado e como pretende se defender.

A UAEM cobrou, no início da semana, que a investigação fosse conduzida “com uma rigorosa perspectiva de gênero” para garantir justiça. O ministro das Relações Exteriores da Espanha, José Manuel Albares, também pediu que o caso seja esclarecido. “Queremos chegar ao fundo disso”, afirmou na segunda – feira.

O crime e a violência em Morelos

O assassinato aconteceu na noite de sábado (12), perto de um centro cultural que sediou um festival de plantas medicinais. Claudia foi morta durante um suposto assalto com uma faca, segundo o local, que disse ter acionado a polícia imediatamente. Ela estava hospedada ali para participar do evento.

O crime ocorre em um estado com altos índices de violência contra mulheres. Morelos registrou 21 vítimas de feminicídio entre janeiro e julho de 2026, uma das taxas mais altas do país, atrás apenas de Sinaloa, segundo dados da Secretaria Executiva do Sistema Nacional de Segurança Pública.

A OMS (Organização Mundial da Saúde) define feminicídio como assassinato de mulheres por motivações de gênero. Paulina García – Del Moral, professora da Universidade de Guelph, no Canadá, explica que os protocolos exigem que promotores, policiais e peritos investiguem com perspectiva de gênero, atentos à desigualdade e ao contexto da violência.

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Comoção e protestos nos dois países

O caso gerou protestos em Morelos na terça – feira. Em Cuernavaca, colegas acenderam velas e deixaram flores em um memorial no Instituto de Ciências da Educação da UAEM. Pamela Martínez, colega de Claudia, descreveu o momento como de “solidariedade e respeito”.

Frida, sua professora de dança aérea, lembrou a personalidade da jovem: “Ela sempre tinha a melhor atitude, a melhor energia.”

Na Espanha, a Universidade de Granada manifestou “profunda repulsa” e realizou um minuto de silêncio na segunda – feira. A irmã da vítima, Lara Tacoronte, publicou um vídeo no Instagram desabafando: “Isso acontece todos os dias, especialmente com as mulheres, e não é justo.”

O procurador – geral de Morelos, Fernando Blumenkron Escobar, se reuniu com autoridades do Consulado da Espanha. O governador do estado também conversou com o cônsul espanhol, Marcos Rodríguez Cantero. “Estamos recebendo uma cooperação admirável”, disse Cantero.

A presidente do México, Claudia Sheinbaum, afirmou que o Ministério das Relações Exteriores está em contato com o consulado e que o gabinete de segurança colabora com a investigação.