Suprema Corte dos EUA mantém proibições a direitos de mulheres trans em 2026

A decisão da Suprema Corte reflete um retrocesso nos direitos das mulheres trans, intensificando a polarização em torno de questões de gênero nos EUA.

Penny Nance, da Concerned Women of America, reage à decisão da Suprema Corte que proíbe mulheres transgênero de participar de esportes femininos

Em 2020, a Suprema Corte dos Estados Unidos decidiu que trabalhadores transgêneros estão protegidos pela lei federal antidiscriminação. O voto do ministro Neil Gorsuch, que redigiu a decisão, foi um marco importante. A sentença estendeu as proteções do Título VII da Lei de Direitos Civis de 1964 para incluir não apenas trabalhadores gays e lésbicas, mas também funcionários transgêneros.

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Gorsuch, conhecido por sua abordagem textualista, argumentou que a proibição de discriminação “em razão do… sexo” incluía uma mulher trans demitida de uma funerária em Michigan.

A decisão no caso Bostock v. Clayton County surpreendeu muitos, especialmente por ter sido escrita pelo primeiro ministro indicado por Donald Trump. Gorsuch contou com o apoio do conservador John Roberts e dos quatro ministros liberais da época. Contudo, essa vitória enfrentou resistência significativa de grupos de direita.

Quando o voto foi vazado para a imprensa meses antes da decisão final, editorialistas tentaram pressioná – lo a mudar de ideia.

Desafios aos direitos trans

A decisão, embora significativa, não representou uma revolução total nos direitos das pessoas transgênero. Mudanças na composição da Corte e nas condições políticas limitaram avanços nesse sentido. Em 2026, a Suprema Corte manteve leis estaduais que proíbem mulheres trans de competirem em equipes esportivas femininas, seguindo uma tendência nacional observada desde 2020.

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No ano anterior, o tribunal decidiu por 6 a 3 permitir que estados bloqueassem certos tipos de assistência médica para jovens transgêneros. Além disso, a Corte autorizou Trump a dispensar militares trans das Forças Armadas e permitiu que o governo exigisse que a indicação de sexo nos passaportes correspondesse ao sexo biológico.

“A lei está sendo usada para transformar pessoas transgênero em bodes expiatórios”, declarou Suzanne Goldberg, professora de direito da Universidade de Columbia e especialista em questões LGBTQ+ desde os anos 1990. Ela destacou como restrições têm isolado pessoas trans em várias áreas da vida cívica.

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Movimentos políticos contra os direitos LGBTQ+

Apesar de representarem cerca de 1% da população americana, as pessoas transgênero se tornaram alvo desproporcional no cenário político atual. Durante sua campanha de reeleição em 2024, Trump criticou pautas LGBTQ+, incluindo posturas sobre direitos trans.

Um anúncio republicano atacava Kamala Harris por suas posições liberais, terminando com a frase: “Kamala apoia o pronome neutro. O presidente Trump apoia você”.

Nos últimos seis anos, 27 estados aprovaram leis que proíbem mulheres transgênero de participar de competições esportivas femininas. Em seu voto à maioria no caso mais recente, o ministro Brett Kavanaugh expressou preocupações sobre segurança e equidade na competição esportiva.

Ele mencionou a “premissa incontestável” de que homens biológicos geralmente possuem vantagens físicas.

Mas também devemos garantir que nossas atletas mulheres sejam protegidas e respeitadas”.

Divisões na Suprema Corte

Recentes casos envolvendo jovens geraram divisões entre os ministros da Suprema Corte. Enquanto Kavanaugh focava nas conquistas das meninas atletas, a ministra Sonia Sotomayor lamentava pela falta de oportunidades competitivas para meninas trans. A maioria reverteu decisões anteriores favoráveis às pautas trans e decidiu que as proibições na Virgínia Ocidental e Idaho não violavam o Título IX nem garantias constitucionais.

Kavanaugh afirmou que equipes separadas para homens e mulheres biológicos são racionais devido às diferenças físicas inerentes entre os sexos. Essa visão foi ecoada fora do tribunal por apoiadores da decisão.

Mudanças desde Bostock

Desde 2020, defensores dos direitos humanos cogitaram expandir os efeitos da decisão Bostock para outras áreas do direito; no entanto, esse impulso foi contido pela mudança na composição da Corte após a morte da juíza liberal Ruth Bader Ginsburg e sua substituição por Amy Coney Barrett.

Pesquisas recentes mostram uma mudança nas atitudes do público em relação às questões trans. Um estudo do Pew Research revelou que 66% dos americanos defendem restrições à participação de atletas trans em equipes correspondentes ao sexo atribuído ao nascimento.

Futuro incerto para os direitos trans

A ordem executiva assinada por Trump proibindo mulheres trans de competirem em esportes femininos também influenciou as decisões recentes da Corte. O Gabinete do Procurador – Geral dos EUA apoiou as leis estaduais argumentando que essas medidas proporcionam tratamento igualitário baseado na biologia.

Casos envolvendo Lindsay Hecox e Becky Pepper – Jackson desafiaram essas proibições em tribunais inferiores; enquanto Pepper – Jackson argumentava não ter vantagem atlética habitual devido ao tratamento médico precoce recebido.

Sotomayor indicou em seu voto divergente que as restrições privam meninas trans das experiências positivas oferecidas pelo esporte jovem. Após a última decisão da Corte, Shannon Minter do National Center for LGBTQ Rights descreveu o veredito como um “retrocesso”, embora ainda permita políticas favoráveis aos estudantes trans em alguns estados.

A tendência atual indica um movimento contrário aos direitos das pessoas trans com novas proibições surgindo tanto em nível estadual quanto organizacional como observado pela NCAA.