STF Acompanha Recuos em ADPF Favelas, Cria Grupo de Monitoramento
STF intensifica monitoramento após recuos em ADPF Favelas, buscando garantir direitos básicos e combater abusos policiais.
Mais de um ano após a decisão do Supremo Tribunal Federal (STF), o tema da Ação de Descumprimento de Preceito Fundamental – ADPF das Favelas –, número 635, continua sendo palco intenso para discussões jurídicas e políticas sobre como deve ser conduzida a segurança pública no Rio de Janeiro.
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O caso levanta implicações profundas não apenas localmente, mas também em relação à democracia brasileira. O Instituto de Estudos da Religião (Iser) e o Centro pela Justiça e o Direito Internacional (Cejil) publicaram recentemente balanços detalhados que apontam os recuos operados pelo STF na análise dos pedidos feitos pelos movimentos sociais e organizações civis amigos do Tribunal Superior.
Mandamentos judiciais apesar das dificuldades
Apesar dos retrocessos observados — considerados tímidos ou contraditórios —, a decisão colegiada ainda determinou medidas obrigatórias para as instituições envolvidas no sistema público brasileiro. Essas ações incluem um controle externo sobre toda atividade policial, além de garantir investigações autônomas e independentes em casos cometidos por agentes estatais.
Além disso, o Judiciário reforçou direitos cruciais: foi determinado que haja realização regular de câmaras corporais (bodycams) e garantia plena aos familiares dessas vítimas quando ocorre violência estatal durante operações policiais.
Criação do Grupo de Trabalho monitorador
Para acompanhar se essas determinações estão sendo cumpridas na prática, o STF criou formalmente um Grupo de Trabalho dedicado ao tema. Este grupo é coordenado pelo Conselho Nacional do Ministério Público (CNMP), mas conta com a participação ativa tanto da Defensoria Pública quanto diversas instituições como MP – Rio e pesquisadores renomados das fundações Getúlio Vargas e Ipea.
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Em 18 de junho passado — data em que foi realizada sua terceira reunião pública —, este GT reuniu informações coletadas diretamente pela sociedade civil sobre possíveis descumprimentos à decisão judicial emitida por esta Corte Superior no Rio de Janeiro.
Representatividade social: principal ponto de tensão
Apesar dos avanços legais, o foco central na ADPF é justamente dar voz aos movimentos sociais. A ausência efetiva dessa representação – especialmente a vinda direto da comunidade favelada para compor esse Grupo de Trabalho monitorador do CNMP – tem sido amplamente denunciada pelas organizações parceiras do ISER.
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Os críticos apontam que essa falta contraria totalmente o espírito participativo exigido pelo caso e reduz drasticamente as chances reais de cumprimento das determinações judiciais mais importantes; como garantir investigações independentes ou reduzir letalidade policial em um contexto marcado por racismo e arbítrio estatal no Rio.**
O foco na redução da violência institucional
Em resumo, os movimentos sociais defendem não apenas receber informações — algo já fornecido à Corte —, mas transformar esse Grupo de Trabalho num espaço real para diálogo. É fundamental monitorar a decisão colegiada justamente nesse sentido: prestação de contas pelas instituições sobre suas responsabilidades constitucionais com relação ao tema segurança pública.
A ADPF é parte de uma estratégia complexa que inclui ações comunitárias diretas, articulações horizontais como o Fórum Popular de Segurança Pública ou ainda participação em espaços internacionais e atos jurídicos mais amplos. O objetivo maior permanece sendo garantir um controle democrático da atividade repressiva no Rio.**.