Tricologista María del Carmen Soto alerta: mais máscara capilar não deixa o cabelo saudável
Passar máscara capilar sempre que o cabelo parece sem vida não garante fios mais saudáveis. Quem sente o cabelo mole, sem corpo e elástico quando molhado pode estar diante de fibra danificada, e a solução, nesse caso, passa pela rotina, não pela quantidade de produto.
A informação é da tricologista espanhola María del Carmen Soto, cirurgiã do Hospital Capilar.
Ela falou ao jornal espanhol El Mundo, em reportagem da revista Yo Dona sobre o chamado cabelo sobre-hidratado. A autora do texto percebeu o problema durante um exame capilar feito em um lançamento de produtos, justamente na fase em que estava satisfeita com o próprio cabelo.
O termo engana, mas o problema é a fibra
O nome sugere excesso de cuidado, e não é isso. Para a doutora Soto, a expressão não é um diagnóstico formal: “Em medicina capilar, não falamos de sobre-hidratação como um diagnóstico médico propriamente dito, mas de uma alteração da fibra capilar que pode fazer o cabelo perder força, elasticidade e resistência”.
Os fios absorvem água de forma natural. Quando sofrem com descoloração, produtos químicos ou agressões repetidas, porém, essa capacidade aumenta e o cabelo se torna mais frágil. A Sociedade Brasileira de Dermatologia traça o mesmo caminho: nos fios danificados, as cutículas ficam abertas e os cabelos tratados quimicamente se tornam porosos, guardando mais água do que os fios saudáveis.
No Brasil, onde descoloração, alisamento e chapinha fazem parte da rotina de muita gente, o quadro é bem conhecido.
Três sinais que indicam fibra danificada
A especialista aponta três pistas. A primeira é a sensação de um fio “mole demais, sem corpo”, colado à cabeça e sem volume. A segunda é o aspecto apagado. A terceira, a mais característica, aparece quando o fio fica quase emborrachado ao ser molhado: a mecha estica e demora a voltar, o que muita gente chama de cabelo chiclete.
Na hora de pentear, o problema também costuma aparecer, já que o cabelo nessas condições tende a quebrar com mais facilidade. A médica faz uma ressalva importante. Esses sintomas nem sempre indicam excesso de água, porque muitas vezes o que existe é fibra danificada.
Por isso, uma avaliação profissional ajuda a diferenciar uma situação da outra.
Revisar a rotina vem antes de aumentar a dose
Diante de um ou mais desses sinais, a primeira medida sugerida pela doutora Soto é olhar para a rotina. Houve troca recente de tratamento? Uma máscara reparadora foi substituída por uma de brilho? Essa mudança pode explicar o quadro.
A frase que dá nome à reportagem é dela: “Não é usando mais máscaras ou tratamentos que vamos conseguir um cabelo mais saudável. É preciso escolher produtos adequados, evitar o excesso de calor e reduzir as agressões químicas”. O calor entra nessa conta.
A própria autora, que alisa o cabelo com secador e chapinha, cita essas ferramentas como fatores de risco. Quem seca os fios todos os dias pode começar afastando um pouco o secador, o que altera a concentração do calor sobre a fibra.
Na química, a lógica é parecida. Quem deseja mudar de cor pode clarear em etapas, como nas técnicas de mechas finas indicadas por cabeleireiros para clarear o cabelo tingido sem danificá-lo. Assim, a fibra sofre menos agressões seguidas.
A reportagem não define quantas vezes por semana usar máscara, e o texto defende que o cabelo receba o que realmente precisa, sem acúmulo de produtos. Para o uso em casa, a sugestão é uma rotina voltada a nutrir, reparar e selar a cutícula, o que reduz a porosidade e, com ela, a absorção exagerada de água.
Entram nesse grupo máscaras, condicionadores sem enxágue aplicados com o cabelo úmido e óleos. Na dúvida, vale seguir a frequência indicada na embalagem e observar a resposta do fio nas semanas seguintes. Se ele continuar mole e elástico, trocar o tipo de produto ou marcar uma consulta costuma resolver mais do que repetir a aplicação.
No salão, a reportagem menciona o botox capilar, que, apesar do nome, não tem ligação com a toxina. Segundo Wilma Sortino, especialista em saúde capilar da rede espanhola Llongueras, o protocolo combina hidratação profunda com colágeno, óleo de caviar, multivitaminas e pantenol.
Ele é indicado para fios finos, frágeis, sem volume, ásperos ou com frizz.
Quebra e queda exigem cuidados diferentes
Para a doutora Soto, quebrar e cair são problemas distintos. Tratamentos reparadores podem melhorar a resistência da fibra em alguns casos. Já quando o cabelo cai desde a raiz, a máscara deixa de ser a resposta, e o caminho indicado é procurar um dermatologista.
A reportagem termina com uma lição que vale para qualquer prateleira de banheiro: no cuidado capilar, assim como em outras áreas da saúde, mais nem sempre quer dizer melhor.
Editoria:
Redação Saúde e Educação
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