Sexo por compaixão: como relações sem desejo afetam a saúde das mulheres

Estudo aponta média de 2,5 relações mensais e alerta que a prática pode distorcer ensaios clínicos e dificultar a avaliação de tratamentos para TDSH.

01/09/2026 14:06

3 min

Falta de sexo pode levar à desconexão do casal
Falta de sexo pode levar à desconexão do casal

Mulheres diagnosticadas com Transtorno do Desejo Sexual Hipoativo (TDSH) continuam mantendo relações sexuais, mesmo sem pensamentos, desejo ou receptividade sexual. Um estudo publicado no Journal of Sex & Marital Therapy identificou que essas pacientes praticam o chamado “sexo por compaixão” cerca de 2,5 vezes por mês.

CONTINUA DEPOIS DA PUBLICIDADE

A análise também apontou que o comportamento pode ocorrer por sentimento de obrigação ou para preservar a harmonia conjugal. Para os pesquisadores Nikita Guptan e James A. Simon, esse dado precisa ser considerado tanto no atendimento médico quanto na elaboração de novos tratamentos.

Como o sexo por compaixão aparece no TDSH

O Transtorno do Desejo Sexual Hipoativo é marcado pela ausência de pensamentos, desejo ou receptividade sexual. Essa condição pode provocar dificuldades na vida íntima e sofrimento pessoal.

CONTINUA DEPOIS DA PUBLICIDADE

Apesar disso, os dados de ensaios clínicos analisados pelos pesquisadores mostram que as mulheres diagnosticadas com TDSH ainda têm, em média, duas a três relações sexuais mensais. A frequência registrada equivale a cerca de 2,5 relações por mês.

Na prática, essas experiências não necessariamente refletem uma retomada do desejo sexual. O estudo relaciona o comportamento à tentativa de manter a relação conjugal ou ao cumprimento de uma obrigação, o que levou os autores a classificá – lo como “sexo por compaixão”.

O impacto nas pesquisas sobre tratamentos

Os pesquisadores afirmam que esse comportamento pode distorcer os resultados de ensaios clínicos voltados ao tratamento do TDSH. Testes com medicamentos como testosterona, flibanserina e bremelanotida avaliam a eficácia das terapias a partir da frequência de experiências sexuais satisfatórias.

Quando uma relação sexual motivada por compaixão é contabilizada sem que se considere a ausência de desejo, o resultado pode mascarar a eficácia real de um medicamento. Isso afeta diretamente a interpretação dos dados coletados durante os testes.

Leia também

A distorção também interfere no cálculo do tamanho das amostras necessárias para os ensaios e na avaliação sobre o funcionamento ou não de um remédio. Uma frequência sexual aparentemente maior pode, portanto, não representar uma melhora provocada pelo tratamento.

Busca por maior precisão nos diagnósticos

Nikita Guptan e James A. Simon defendem que médicos e cientistas compreendam o peso biopsicossocial do “sexo por compaixão”. A avaliação desse comportamento pode ajudar a diferenciar a frequência das relações da presença efetiva de desejo e satisfação sexual.

Para os autores, incorporar essa dimensão às pesquisas é essencial para desenhar estudos clínicos mais precisos. O objetivo é melhorar a análise dos tratamentos e contribuir para o desenvolvimento de terapias mais eficazes para as pacientes no futuro.

Gabriel é economista e jornalista, trazendo análises claras sobre mercados financeiros, empreendedorismo e políticas econômicas. Sua habilidade de prever tendências e explicar dados complexos o torna referência para quem busca entender o mundo dos negócios.

CONTINUA DEPOIS DA PUBLICIDADE

Ative nossas Notificações

Ative nossas Notificações

Fique por dentro das últimas notícias em tempo real!