Sexo por compaixão: como relações sem desejo afetam a saúde das mulheres

Mulheres diagnosticadas com Transtorno do Desejo Sexual Hipoativo (TDSH) continuam mantendo relações sexuais, mesmo sem pensamentos, desejo ou receptividade sexual. Um estudo publicado no Journal of Sex & Marital Therapy identificou que essas pacientes praticam o chamado “sexo por compaixão” cerca de 2,5 vezes por mês.
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A análise também apontou que o comportamento pode ocorrer por sentimento de obrigação ou para preservar a harmonia conjugal. Para os pesquisadores Nikita Guptan e James A. Simon, esse dado precisa ser considerado tanto no atendimento médico quanto na elaboração de novos tratamentos.
Como o sexo por compaixão aparece no TDSH
O Transtorno do Desejo Sexual Hipoativo é marcado pela ausência de pensamentos, desejo ou receptividade sexual. Essa condição pode provocar dificuldades na vida íntima e sofrimento pessoal.
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Apesar disso, os dados de ensaios clínicos analisados pelos pesquisadores mostram que as mulheres diagnosticadas com TDSH ainda têm, em média, duas a três relações sexuais mensais. A frequência registrada equivale a cerca de 2,5 relações por mês.
Na prática, essas experiências não necessariamente refletem uma retomada do desejo sexual. O estudo relaciona o comportamento à tentativa de manter a relação conjugal ou ao cumprimento de uma obrigação, o que levou os autores a classificá – lo como “sexo por compaixão”.
O impacto nas pesquisas sobre tratamentos
Os pesquisadores afirmam que esse comportamento pode distorcer os resultados de ensaios clínicos voltados ao tratamento do TDSH. Testes com medicamentos como testosterona, flibanserina e bremelanotida avaliam a eficácia das terapias a partir da frequência de experiências sexuais satisfatórias.
Quando uma relação sexual motivada por compaixão é contabilizada sem que se considere a ausência de desejo, o resultado pode mascarar a eficácia real de um medicamento. Isso afeta diretamente a interpretação dos dados coletados durante os testes.
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A distorção também interfere no cálculo do tamanho das amostras necessárias para os ensaios e na avaliação sobre o funcionamento ou não de um remédio. Uma frequência sexual aparentemente maior pode, portanto, não representar uma melhora provocada pelo tratamento.
Busca por maior precisão nos diagnósticos
Nikita Guptan e James A. Simon defendem que médicos e cientistas compreendam o peso biopsicossocial do “sexo por compaixão”. A avaliação desse comportamento pode ajudar a diferenciar a frequência das relações da presença efetiva de desejo e satisfação sexual.
Para os autores, incorporar essa dimensão às pesquisas é essencial para desenhar estudos clínicos mais precisos. O objetivo é melhorar a análise dos tratamentos e contribuir para o desenvolvimento de terapias mais eficazes para as pacientes no futuro.
Autor(a):
Gabriel Furtado
Gabriel é economista e jornalista, trazendo análises claras sobre mercados financeiros, empreendedorismo e políticas econômicas. Sua habilidade de prever tendências e explicar dados complexos o torna referência para quem busca entender o mundo dos negócios.



