Setor Industrial e Varejista Reage à Extinção de Imposto sobre Compras Estrangeiras

Setor industrial e varejista no Brasil reagem à extinção da tributação sobre compras internacionais. Medida gera descontentamento e riscos para empregos

14/05/2026 02:56

3 min

Setor Industrial e Varejista Reage à Extinção de Imposto sobre Compras Estrangeiras
(Imagem de reprodução da internet).

Reação do Setor Industrial e Varejista à Extinção da Tributação sobre Compras Estrangeiras

As entidades que representam os setores industriais e varejistas no Brasil manifestaram descontentamento com a decisão do governo federal de eliminar a tributação sobre compras internacionais de até US$ 50. A medida, que começará a valer a partir desta quarta-feira (13), foi criticada pela CNI (Confederação Nacional da Indústria), que argumentou que a extinção do imposto sobre importações favorece indústrias estrangeiras em detrimento do setor produtivo nacional, impactando especialmente micro e pequenas empresas.

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Ricardo Alban, presidente da CNI, afirmou que permitir a entrada de importações de até US$ 50 sem tributação é equivalente a financiar a indústria de países como a China, que é o principal exportador de produtos de baixo valor para o Brasil, especialmente no setor têxtil.

Ele destacou que essa decisão traz prejuízos diretos para quem fabrica e comercializa no Brasil. A CNI também considerou a medida um retrocesso, ressaltando que a criação da chamada “taxa das blusinhas” havia sido uma conquista para a indústria e o comércio nacional.

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Impactos Econômicos e Empregos em Risco

Um estudo mencionado pela CNI indicou que a taxação anterior evitou a entrada de R$ 4,5 bilhões em produtos importados no país, preservando mais de 135 mil empregos e quase R$ 20 bilhões na economia brasileira. Alban enfatizou que, embora as importações sejam bem-vindas e aumentem a competitividade, elas devem ocorrer em condições de igualdade.

De maneira semelhante, a Abvtex (Associação Brasileira do Varejo Têxtil) alertou que a nova medida pode ameaçar 18 milhões de empregos gerados pelo setor produtivo nacional. A associação criticou a decisão, afirmando que ela institucionaliza a concorrência desleal e demonstra falta de compromisso com o desenvolvimento e a riqueza gerados dentro do Brasil.

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A Abvtex classificou a decisão como um “grave retrocesso econômico”, destacando os riscos de desindustrialização, fechamento de empresas, redução de investimentos e perda de empregos formais.

Desafios para a Indústria Nacional

A Fiemg (Federação das Indústrias do Estado de Minas Gerais) também expressou desaprovação, ressaltando que a indústria brasileira já enfrenta altos custos de produção, carga tributária elevada e desafios logísticos. A entidade mineira alertou que a retirada da tributação sobre produtos importados de baixo valor pode agravar a concorrência desigual enfrentada pelas empresas nacionais, especialmente as de pequeno e médio porte.

Antes da implementação da tributação sobre importações de até US$ 50, em 2024, um estudo da Fiemg indicou que a manutenção do cenário anterior poderia resultar na perda de 1,1 milhão de empregos e na redução de R$ 99 bilhões no faturamento do setor produtivo nacional.

A associação também destacou que cerca de 80% das peças comercializadas no Brasil têm valor abaixo de US$ 50, que agora volta a ter tratamento favorecido para produtos importados.

Além disso, a Fiemg observou que, apenas nos quatro primeiros meses de 2026, as encomendas internacionais geraram R$ 1,78 bilhão em arrecadação federal, evidenciando que havia um caminho para um maior equilíbrio competitivo e formalização do comércio eletrônico internacional.

Marcos Oliveira é um veterano na cobertura política, com mais de 15 anos de atuação em veículos renomados. Formado pela Universidade de Brasília, ele se especializou em análise política e jornalismo investigativo. Marcos é reconhecido por suas reportagens incisivas e comprometidas com a verdade.

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