Setor de serviços do Brasil se mantém estável em junho e cresce 2% em relação ao ano anterior
O crescimento de 2% no setor de serviços em junho indica uma leve recuperação, mas ainda está 0,3% abaixo do pico histórico de outubro de 2025.
O setor de serviços no Brasil se manteve estável em junho, contrariando as expectativas de economistas que previam uma nova queda. O volume de serviços registrou um crescimento de 2,0% em relação ao mesmo mês do ano anterior, conforme dados divulgados nesta quarta – feira (12) pelo IBGE (Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística.
Essa performance superou as previsões da pesquisa da Reuters, que antecipava um recuo de 0,2% na comparação mensal e uma alta de apenas 1,4% na base anual.
No segundo trimestre deste ano, o setor encerrou com um ganho de 0,4% em relação aos três meses anteriores, após uma queda de 0,5%. Apesar da estabilidade em junho, os dados ainda mostram que o setor permanece 0,3% abaixo do pico histórico alcançado em outubro de 2025.
Rodrigo Lobo, gerente da pesquisa no IBGE, destacou que “há uma clara acomodação do setor de serviços“, mas descartou uma mudança significativa na trajetória atual.
Tendências econômicas e expectativas
Enquanto medidas governamentais têm estimulado o consumo e o mercado de trabalho se mostra aquecido, a política monetária restritiva atua como um peso sobre a atividade econômica. Atualmente, a taxa básica de juros Selic está fixada em 14,0%. André Valério, economista sênior do Inter, comentou sobre a situação: “De modo geral, vemos o setor de serviços seguir a tendência da atividade econômica, que é de moderação.
Esperamos que o PIB cresça 0,5% no segundo trimestre”, afirmando que isso permitiria ao Copom continuar ajustando a Selic para 13,25% ao final de 2026.
Entre os segmentos analisados em junho, apenas o setor de informação e comunicação apresentou avanço significativo de 1,8%, marcando seu terceiro resultado positivo consecutivo e acumulando um crescimento total de 3,0% nesse período. Por outro lado, o segmento de profissionais administrativos e complementares registrou a maior queda mensal com 1,4%.
Leia também
Outros recuos foram observados em outros serviços (-2,2%), nos serviços prestados às famílias (-1,2%) e nos transportes (-0,1%.
Impactos setoriais e análise específica
O transporte de passageiros foi um dos mais afetados em junho com um recuo expressivo de 4% comparado ao mês anterior. Em contraste com isso, houve uma leve variação positiva nas atividades relacionadas ao transporte geral (+0,1%). Segundo Lobo, o aumento nos preços dos combustíveis — especialmente no óleo diesel — influenciou negativamente o setor. “Isso é um reflexo do conflito no Oriente Médio”, afirmou ele.
Contudo, Lobo considerou esses efeitos como pontuais e sem justificativa para alterar a trajetória geral do setor.
Além disso, o índice das atividades turísticas enfrentou uma queda significativa de 3,4% em junho frente a maio. Este foi o segundo resultado negativo consecutivo para esse segmento que acumula perdas totais de 3,8%. Assim sendo, as atividades turísticas estão agora 6,2% abaixo do auge registrado em dezembro de 2024.
Conclusão sobre os resultados
A análise dos dados sugere que apesar da estabilidade aparente do setor em junho e das altas pontuais em alguns segmentos específicos como informação e comunicação, há desafios significativos à frente devido às pressões inflacionárias e políticas monetárias restritivas.