Secretário garante infraestrutura pronta para El Niño em debate técnico

O setor de energia elétrica brasileiro foi recebido em um debate sobre resiliência climática nesta 5ª feira (20.ago.2026). O secretário de Energia Elétrica do MME (Ministério de Minas e Energia), Cascalho, garantiu que toda a infraestrutura nacional está preparada para enfrentar os possíveis impactos da chegada dos fenômenos associados ao El Niño.
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Durante o evento na sede da Aneel (Agência Nacional de Energia Elétrica) em Brasília — intitulado “Super El Niño e a Resiliência do Setor Elétrico Brasileiro” —, ele tranquilizou agentes setoriais afirmando que ocorrências como as chamadas “super fortes” não são inéditas para o sistema elétrico brasileiro; já houve desafios anteriores superados pelo setor.
O encontro reuniu representantes das áreas geradora, transmissora e distribuidora, além de órgãos cruciais como ANA, Defesa Civil, Operador Nacional do Sistema Eletricidade (ONS), Inpe e Inmet.
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Planos governamentais visam aumentar segurança diante da mudança climática
O representante ministerial defendeu a implementação imediata da agenda eletroenergética aprovada em fevereiro passado pelo CMSE (Comitê de Monitoramento do Setor Elétrico). As medidas incluem não apenas o realização do Leilão de Reserva de Capacidade em forma de Potência, mas também antecipar na operação parte das usinas que foram contratadas no certame.
O objetivo principal é elevar drasticamente a proteção sistêmica frente aos efeitos adversos desse fenômeno climático global.
Cascalho detalhou como as alterações nos padrões pluviométricos afetam regiões vitais para o país — principalmente Nordeste, Norte e Centro – Oeste —, impactando diretamente os níveis dos reservatórios utilizados pelas hidrelétricas brasileiras para gerar energia elétrica.
Com menos chuvas caindo sobre essas áreas, há um risco real: baixar significativamente o nível da água armazenada nas barragens de geração hídrica do Brasil inteiro.
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Desafios setoriais exigem cooperação entre agentes
A avaliação geral feita pelos participantes foi que a capacidade de resposta diante eventos climáticos não pode ser tratada como uma questão temporária ou excepcional; ela deve fazer parte permanente do planejamento estratégico setor elétrico nacional em sua totalidade.
As falas convergiram na necessidade urgente de integração e colaboração constante entre os diversos órgãos regulatórios, técnicos e políticos envolvidos no tema energia elétrica.
As empresas geradoras já estão executando atividades diárias preparatórias para responder aos desafios ambientais cotidianos, segundo Camilla Fernandes da (Associação Brasileira das Empresas Geradoras de Energia Elétrica). Ela ressaltou o papel fundamental dos reservatórios hidrelétricos: “Os nossos reservatórios […] são nosso maior ativo de armazenamento de água no país”, afirmando que a infraestrutura hídrica é crítica não só pela geração energética mas também pelo abastecimento múltiplo em geral.
Alertas sobre distribuição e transmissão. A preocupação se estendeu às áreas de consumo final; Patrícia Audi, presidente da (Associação Brasileira de Distribuidores de Energia Elétrica), alertou para os riscos nos sistemas distributivos causados por ventos fortes ou tempestades severíssimas — citou casos com rajadas atingindo 140 kmhe até mesmo registros mais altos como o feito em Ribeirão Preto.
Ela mencionou a iniciativa governamental que visa investir R 260 bilhões na área das distribuidoras no período até 2030. Deste montante total, espera – se destinar 40% especificamente à modernização e resiliência climática do sistema; contudo, Patrícia Audi enfatizou um ponto crucial: esses investimentos só terão eficácia plena se houver uma coordenação direta entre as prefeituras locais, forças de segurança pública e defesa civil municipal.
A executiva também cobrou da Aneel por meio regulatório o estabelecimento claro sobre como definirão os eventos considerados extremos climaticamente.
Impactos em torres elétricas exigem investimento constante
Por sua vez, Talita Porto, presidente da (Associação Brasileira das Empresas de Transmissão de Energia Elétrica), alertou que mudanças associadas ao El Niño podem provocar tempestades capazes de derrubar inúmeras estruturas elevadoras. Além dos danos físicos às próprias linhas — incluindo enchentes ou alagamentos nas subestações —, há riscos financeiros diretos para as empresas envolvidas nos investimentos.
Segundo ela, esses efeitos climáticos não são apenas operacionais; eles impactam diretamente o caixa e os planos futuros do setor energético nacional.
Diante desse cenário complexo, é imperativo reconhecer formalmente todos os aportes feitos pelas transmissoras em função da necessidade crescente por resiliência climática geral no país. As companhias já estão investindo na modernização das redes inteligentes (smart grids) e adotando monitoramento preventivo que utiliza inteligência artificial avançada com análise de dados robustos.
Para garantir uma recomposição rápida dos ativos danificados, empregam equipes móveis prontas para ação imediata, rotas redundantes ou até mesmo torres modulares projetadas especificamente para substituição veloz; além disso, tecnologias como drones e sensores fazem parte do arsenal moderno.
Autor(a):
Bianca Lemos
Ambientalista desde sempre, Bianca Lemos se dedica a reportagens que inspiram mudanças e conscientizam sobre as questões ambientais. Com uma abordagem sensível e dados bem fundamentados, seus textos chamam a atenção para a urgência do cuidado com o planeta.



