Rio Grande do Sul busca respostas em debate sobre desastres climáticos Fonte: Codex Experience 2026

Com alerta de ciclone ativo em todo o Rio Grande do Sul nesta quinta – feira, 20, Porto Alegre se tornou palco para intensas discussões sobre a capacidade brasileira enfrentar eventos climáticos extremos e cada vez mais frequentes.
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O evento Codex Experience 2026 busca apresentar tecnologias avançadas que podem auxiliar na adaptação climática nacional, tentando responder à pergunta central após novas tragédias: onde exatamente está nosso progresso? A resiliência é posta constantemente à prova pelo aumento alarmante dos desastres naturais no país.
Crescimento exponencial nos registros de catástrofes
Segundo análise da empresa Codex — especializada em governança de dados e mudanças climáticas —, o número oficial de ocorrências disparou. Os registrados saltaram drasticamente de apenas 1.635 casos entre os anos de 2015 a 2019 para cerca de 6.100 acidentes já contabilizados somente na faixa temporal compreendida por 2020 até 2024, representando um crescimento impressionante de 273% ao longo de menos de uma década.
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Neste cenário complexo, especialistas presentes no evento concordam que faltar informação não é mais o problema do Brasil; pelo contrário, há dados suficientes disponíveis em todo território nacional. O verdadeiro gargalo reside justamente transformar essa vasta quantidade de informações coletadas em ações práticas nos municípios e territórios afetados pela crise climática.
O desafio da cultura preventiva local
“Não temos cultura de prevenção aqui no país”, resumiu Benício Ferrari Jr., coordenador estadual de Proteção e Defesa Civil do Espírito Santo. Ele apontou para a esfera municipal como ponto nevrálgico: embora ele seja onde deveria começar qualquer resposta eficaz à emergência, muitas prefeituras enfrentam dificuldades financeiras estruturais.
Ferrari explicou que grande parte das administrações municipais depende exclusivamente dos repasses federais — recursos nem sempre suficientes até mesmo para manter serviços básicos —, o que inviabiliza tanto sua evolução quanto seu preparo adequado diante da crescente ameaça climática extrema.
A chegada da tecnologia americana ao Brasil
Para Venicios Santos, diretor de Negócios na Codex, os avanços mais significativos nos últimos anos foram puramente tecnológicos. No entanto, ele enfatizou a necessidade urgente não apenas do *software*, mas sobretudo da integração: “Não é só a TI; não se trata somente de um programa ou sistema novo”.
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“É preciso criar uma cultura robusta baseada em dados e ter essa gestão completa das informações”, destacou o especialista durante entrevista à EXAME revista digital. Os especialistas convergiram para entender que nenhuma solução tecnológica isoladamente resolverá tudo — será fundamental também haver vontade política.”
Juvare implementará plataforma AI no Espírito Santo
Nesse contexto, foi anunciada na ocasião parceria entre Juvare americana e Codex Experience 2026: a implementação da tecnologia juvareno estado do Espírito Santo é um marco importante de adaptação.
A empresa opera uma sofisticada plataforma de gerenciamento totalmente baseada em inteligência artificial (IA), já utilizada nos cinquenta estados americanos e mais de vinte cinco países. Seu objetivo principal é coordenar as respostas às emergências climáticas extremas com máxima eficiência operacional.”
“Segundo o sistema desenvolvido pela companhia, ele consegue dar conta das ações emergenciais até noventa e cinco por cento mais rápido que os métodos anteriores”, explicou sobre sua capacidade revolucionária na gestão de crises. Uma situação antes exigindo horas de trabalho entre cerca de oito profissionais passa a ter um primeiro movimento registrado em aproximadamente 30 segundos.
O desafio da centralização federal
A plataforma funciona como uma verdadeira sala de comando virtual. Em momentos críticos, ela reúne dados vitais — desde ocorrências ativas passando pelos recursos disponíveis —, tudo exibido numa única tela para Defesa Civil, forças policiais, hospitais e autoridades locais receberem atualizações instantâneas dos times no campo.”
“Nosso sistema coordena absolutamente todos os aspectos do desastre; isso torna o atendimento muito mais simples: sabemos exatamente qual é a nossa função”, afirmou Jeffrey Urkevich, CEO fundador da Juvare.
No entanto, um grande obstáculo estrutural foi apontado por Venicios Santos ao comparar modelos internacionais com a realidade brasileira. Nos Estados Unidos existe uma agência federal centralizadora de diretrizes como a FEMA que viabiliza essa aquisição em nível estadual ou municipal.
No Brasil não há esse equivalente únicocada ente federativo precisa fazer sua própria contratação e gestão individualizada dos recursos.**
“Em qualquer emergência climática, precisamos garantir circulação rápida das informações entre os diferentes órgãos para evitar o processo fragmentário”, concluiu Benício Ferrari Jr., reforçando ainda a importância do planejamento resiliente institucional.
Autor(a):
Ana Carolina Braga
Ana Carolina é engenheira de software e jornalista especializada em tecnologia. Ela traduz conceitos complexos em conteúdos acessíveis e instigantes. Ana também cobre tendências em startups, inteligência artificial e segurança cibernética, unindo seu amor pela escrita e pelo mundo digital.



