Secretário do Tesouro dos EUA anuncia aumento nas recompras de títulos para US 4 bilhões

Aumento nas recompras de títulos do Tesouro visa fortalecer a liquidez em um mercado com baixa negociação e enfrentar a concorrência de novas emissões.

Secretário do Tesouro dos EUA, Scott Bessent

O secretário do Tesouro dos Estados Unidos, Scott Bessent, anunciou nesta quinta – feira (20) um possível aumento no volume de títulos do Tesouro que o governo pretende recomprar. A declaração ocorreu um dia após a divulgação de planos para duplicar as recompras. “Vamos aumentar o volume da recompra”, afirmou Bessent em entrevista à CNBC.

Ele destacou ainda que o valor pode ser superior a US 4 bilhões por emissão.

A recompras visam apoiar a liquidez de títulos com cupom nominal e prazos mais longos, elevando o montante de US 2 bilhões para pelo menos US 4 bilhões por operação. Durante a entrevista, Bessent ressaltou que o objetivo é fortalecer a liquidez em um segmento do mercado que enfrenta baixa negociação, especialmente em agosto, além de lidar com a concorrência de novas emissões corporativas que oferecem rendimentos mais altos, inclusive aquelas ligadas à infraestrutura de inteligência artificial.

Expectativas econômicas e cortes fiscais

Bessent também comentou sobre as expectativas econômicas, afirmando que acredita que os rendimentos atuais não refletem os fundamentos da economia. Em relação ao conflito com o Irã, ele disse: “Vamos superá – lo, embora não saibamos quando”.

Ele revelou ainda que iniciará um novo esforço de consolidação fiscal ao lado do diretor de orçamento da Casa Branca, Russell Vought, sob orientação do presidente Donald Trump.

Segundo Bessent, essa iniciativa poderá resultar em uma economia de “centenas de bilhões de dólares” ao eliminar desperdícios e fraudes no governo. O secretário observou que não há nada de mágico na cifra de US 40 trilhões e que os EUA podem reduzir sua dívida por meio do crescimento econômico.

Além disso, ele mencionou que o déficit deste ano foi ampliado devido aos reembolsos das tarifas impostas por Trump que foram consideradas ilegais pela Suprema Corte.

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Sanções e relações internacionais

Durante a mesma entrevista à CNBC, Bessent confirmou que os Estados Unidos estarão implementando “as sanções mais duras da história” contra o Irã. Ele anunciou uma coletiva de imprensa para segunda – feira (24), onde discutirá os detalhes dessa estratégia. “É hora de nossos aliados e do resto do mundo tomarem uma decisão”, enfatizou.

O presidente Donald Trump também alertou sobre ações futuras em relação ao Irã. Ao ser questionado se os Estados Unidos poderiam direcionar suas ações contra a China por conta das relações comerciais com o Irã, Bessent respondeu que muitas discussões são melhores quando mantidas em privado. “Estamos confiantes de que todos querem o Estreito de Ormuz reaberto e que os preços da energia voltem a cair”, finalizou.

Vale destacar que a China é responsável pela compra de mais de 80% do petróleo iraniano exportado, segundo dados da empresa Kpler referentes a 2025. O ministro das Relações Exteriores do Irã, Abbas Araqchi, criticou os comentários feitos por Trump, considerando – os como uma tentativa de desviar a atenção pública dos problemas financeiros internos dos EUA, incluindo uma dívida recorde e o aumento das taxas de juros.