FMI aprova empréstimo de US1,9 bi para Bolívia com desembolso imediato de US 214 mi

O desembolso inicial de US 214 milhões já está disponível para fortalecer as reservas cambiais do país.

02/10/2026 20:52

3 min

A bandeira nacional da Bolívia tremula ao vento
A bandeira nacional da Bolívia tremula ao vento

O Fundo Monetário Internacional (FMI) aprovou na última sexta – feira (2) um novo acordo de financiamento para a Bolívia, no valor de aproximadamente US 1,9 bilhão. O pacote, estruturado no âmbito do Mecanismo de Financiamento Ampliado, terá duração de 36 meses e já libera um desembolso imediato de cerca de US 214 milhões para o país.

CONTINUA DEPOIS DA PUBLICIDADE

A decisão foi tomada pelo conselho executivo do FMI, que avaliou as contas e as projeções econômicas bolivianas. O valor total do acordo representa um alívio significativo para as reservas internacionais do país, que vinham enfrentando pressão nos últimos meses.

Com a aprovação, o governo de La Paz ganha um fôlego financeiro para honrar compromissos externos e estabilizar a economia.

CONTINUA DEPOIS DA PUBLICIDADE

Detalhes do acordo e impacto imediato

O Mecanismo de Financiamento Ampliado é uma linha de crédito do FMI voltada para países que enfrentam desequilíbrios estruturais na balança de pagamentos. No caso boliviano, os recursos devem ser usados para fortalecer as reservas cambiais e dar suporte a um programa de ajuste econômico.

O desembolso inicial de US 214 milhões já está disponível para saque imediato, segundo comunicado oficial do Fundo.

A aprovação ocorre em um momento delicado para a economia da Bolívia. O país lida com escassez de dólares, inflação elevada e queda na produção de gás natural, principal produto de exportação. O acordo de 36 meses prevê metas fiscais e reformas estruturais que o governo boliviano terá que cumprir para garantir os próximos repasses.

Entre as condições, estão medidas de contenção de gastos públicos e ajustes na política cambial.

Leia também

Especialistas apontam que o aval do FMI também funciona como um selo de credibilidade para outros credores internacionais. Com o acordo, a Bolívia pode tentar renegociar dívidas bilaterais e acessar novos financiamentos de bancos de desenvolvimento.

A expectativa é que os recursos ajudem a conter a desvalorização do boliviano no mercado paralelo e a normalizar o fluxo de importações, que sofre com a falta de divisas.

Contexto econômico e reações

A economia boliviana passou por uma década de crescimento impulsionado pelos altos preços das commodities, mas enfrenta uma crise desde 2023. A redução das exportações de gás para a Argentina e o Brasil, aliada a uma política de subsídios que drenou as reservas, levou o país a buscar ajuda externa.

O governo do presidente Luis Arce negociou o acordo nos últimos meses, em meio a protestos de setores que temem cortes em programas sociais.

O FMI não detalhou publicamente todas as cláusulas do programa, mas analistas estimam que o plano inclua a unificação do câmbio e o fim gradual dos subsídios aos combustíveis. Essas medidas são consideradas impopulares, mas necessárias para reequilibrar as contas públicas.

A Bolívia já teve outros acordos com o Fundo no passado, mas este é o maior em valor absoluto da história recente do país.

A liberação dos US214 milhões iniciais serve como um alívio de curto prazo. O restante do montante, cerca de US 1,7 bilhão, será liberado em parcelas trimestrais ao longo dos próximos três anos, condicionado ao cumprimento das metas acordadas.

O governo boliviano ainda não se manifestou oficialmente sobre o calendário exato dos desembolsos.

Marcos Oliveira é um veterano na cobertura política, com mais de 15 anos de atuação em veículos renomados. Formado pela Universidade de Brasília, ele se especializou em análise política e jornalismo investigativo. Marcos é reconhecido por suas reportagens incisivas e comprometidas com a verdade.

CONTINUA DEPOIS DA PUBLICIDADE

Ative nossas Notificações

Ative nossas Notificações

Fique por dentro das últimas notícias em tempo real!