Sarampo se espalha antes dos sintomas e pode permanecer no ar por horas, alerta Kfouri

Pessoas infectadas podem transmitir sarampo antes dos sintomas e deixar partículas virais suspensas no ambiente por horas, reforça Renato Kfouri.

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O estado de São Paulo chegou a 41 casos confirmados de sarampo.

Renato Kfouri, presidente da Câmara Técnica de Eliminação do Sarampo, alertou neste sábado (17), considerado o Dia Nacional de Vacinação, que o sarampo se espalha com facilidade e que a vacinação é a principal barreira contra o vírus. Em entrevista ao CNN Agora, jornal da CNN Brasil, ele explicou que a transmissão pode ocorrer mesmo sem contato próximo.

O Brasil registrou 61 casos da doença, todos importados, segundo o último informe do Ministério da Saúde. A maioria das pessoas infectadas não estava imunizada.

Vírus pode permanecer no ar por horas

Kfouri apontou dois fatores que facilitam a transmissão. A pessoa infectada pode transmitir o vírus antes de apresentar sintomas, o que dificulta identificar os casos e manter o isolamento.

Além disso, o vírus pode permanecer suspenso no ar em partículas pequenas, chamadas aerossóis, mesmo depois que a pessoa infectada deixa o local. “Aquele que está doente ao falar, ao espirrar, ele elimina o vírus, esse vírus fica em suspensão em partículas muito pequenas, que a gente chama de aerossóis, por horas, às vezes, no ambiente”, disse Kfouri.

Ele explicou que alguém pode ser infectado ao entrar em um ambiente onde uma pessoa com sarampo esteve antes. “Mesmo que você entre depois de uma ou duas horas, o vírus está por ali, então é possível essa transmissão sem um contato muito próximo”, afirmou.

Vacinação reduz o risco de transmissão e complicações

Segundo Kfouri, aproximadamente 90% dos casos registrados no Brasil e no mundo são de pessoas que não tomaram a vacina. Ele recomendou manter o calendário vacinal atualizado e afirmou que casos de falha vacinal, em pessoas que receberam duas doses, são raros.

Quando alguém com o esquema vacinal completo contrai a doença, o quadro costuma ser mais leve e raramente evolui para complicações. O sarampo, porém, pode ser grave e não tem tratamento específico.

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Os sintomas iniciais incluem febre alta, tosse, coriza e conjuntivite. Depois, surgem manchas avermelhadas que começam no rosto e se espalham pelo corpo. Entre as complicações estão pneumonia, otites, diarreia intensa e desidratação; em casos mais raros, o vírus pode atingir o cérebro e provocar encefalite.

A pneumonia é a principal causa de morte por sarampo em crianças pequenas.

Crianças menores de 2 anos concentram cerca de 60% dos casos

De acordo com Kfouri, cerca de 60% dos casos ocorrem em crianças menores de 2 anos, que podem ainda não ter tido a oportunidade de se vacinar. Isso não elimina a necessidade de imunização dos adultos: bebês costumam ser contaminados por pessoas mais velhas que não estão vacinadas.

O especialista defendeu uma cobertura vacinal alta para proteger também quem ainda não pode receber a vacina. Segundo a OMS (Organização Mundial da Saúde), a transmissão nas Américas contabilizou neste ano o maior número de casos em mais de duas décadas.

Quem está com doses atrasadas deve procurar uma unidade de saúde

As campanhas intensas realizadas em São Paulo, onde se concentra a maioria dos casos, terminaram em agosto. Quem está com doses em atraso deve procurar uma unidade de saúde para atualizar a caderneta, conforme as recomendações do Programa Nacional de Imunizações.

Crianças e pessoas com o sistema imunológico frágil são o principal público-alvo. Adultos que não sabem se foram vacinados também devem buscar orientação. Em caso de febre acompanhada de manchas vermelhas, a recomendação é procurar atendimento médico e evitar contato com outras pessoas, especialmente bebês e gestantes.

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