Saint Paul avalia cinco critérios na dinâmica em grupo da seleção; falar mais não garante vaga

Imersão Saint Paul Experience, segunda das três etapas da seleção em Administração, dura um dia e pede projeto empreendedor com IA, além de redação.

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O profissional pode buscar novas habilidades a partir do feedback de recrutadores e ingressar na empresa em outro processo seletivo | Unsplash / | Foto: Reprodução/Exame

Na dinâmica de grupo do processo seletivo, falar mais não significa ir melhor. A banca observa como o candidato raciocina, como se comunica e como ajuda a construir uma solução ao lado de pessoas que acabou de conhecer. Na graduação em Administração da Saint Paul Escola de Negócios, na Consolação, em São Paulo, essa etapa se chama Imersão Saint Paul Experience.

A imersão dura um dia no campus. As equipes desenvolvem e apresentam um projeto empreendedor com ferramentas de inteligência artificial, e a avaliação também inclui uma redação. A escola usa a imersão como a segunda das três etapas da seleção.

Por que a seleção usa dinâmica em grupo?

Uma prova mostra o que o candidato sabe. Já a dinâmica revela como ele age: se escuta os colegas, se organiza a conversa, se defende uma ideia com argumentos ou se reconhece que outra proposta é melhor. Esses comportamentos aparecem no trabalho em equipe da faculdade e, depois, no mercado.

Antes da imersão, a Saint Paul faz a avaliação integrada, que reúne nota de exame, histórico escolar, portfólio de atividades e vídeo de apresentação. Depois da dinâmica, vem uma entrevista individual online com a coordenação acadêmica.

“Queremos ter um olhar holístico do candidato para trazer aquele aluno que vai aprender a aprender”, disse Mila Securato, diretora executiva da Graduação da Saint Paul, à EXAME.

Como cada um dos cinco critérios aparece no dia

A escola avalia cinco pontos: pensamento crítico, comunicação, resolução de problemas, colaboração e a postura diante de desafios. Cada um deles aparece de forma bem concreta. No pensamento crítico, o candidato questiona uma premissa, pede dados antes de decidir ou alerta para o risco de uma ideia que o grupo aprovou rápido demais.

Na comunicação, o desafio é explicar a proposta de modo que todos entendam na primeira vez. Na apresentação final, é preciso contar o projeto com começo, meio e fim. Já na resolução de problemas, vale transformar uma discussão aberta em próximos passos e achar uma saída quando o plano emperra.

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A colaboração se mostra quando alguém desenvolve a ideia de um colega, divide tarefas e dá espaço a quem ainda não falou. Na postura diante de desafios, pesam a calma quando o relógio aperta, a disposição para ouvir críticas e a capacidade de mudar de rota sem perder o objetivo.

Com a inteligência artificial no meio, surge mais uma camada. A ferramenta ajuda a pesquisar, gerar opções e montar a apresentação, mas o grupo continua responsável pelas escolhas: o que perguntar, o que conferir, o que aproveitar e o que descartar.

Os critérios da Saint Paul seguem a mesma lógica das dinâmicas de universidades estrangeiras. O guia do centro de avaliação da Universidade de Portsmouth, no Reino Unido, aponta o que os avaliadores costumam procurar: contribuir para a discussão, expor as próprias ideias com clareza, ouvir os outros, dividir tarefas e exercer uma liderança positiva.

O mesmo material chama atenção para a escuta. Em algumas atividades, o candidato precisa repetir o ponto de vista de um colega, e só consegue quem prestou atenção de verdade. Em tarefas práticas, os grupos mais bem avaliados nem sempre concluem o trabalho, mas funcionam bem como equipe.

Cuidados que ajudam e erros que custam pontos

Não existe roteiro pronto, já que cada grupo e cada desafio mudam a conversa. Ainda assim, alguns cuidados valem para qualquer formato. Leia o enunciado com calma e confirme que todos entenderam o problema antes de propor soluções. Quando o grupo se perde, trazer de volta o pedido original costuma ser uma contribuição valiosa.

Fale com conteúdo, porque uma intervenção que faz a discussão andar vale mais do que várias que repetem o que já foi dito. Citar a ideia de alguém, como em “como a Ana disse, se a gente focar em…”, mostra escuta e ajuda a equipe a avançar.

Perguntar a opinião de quem ainda não falou também conta a favor. Por fim, propor um plano simples para o tempo disponível ajuda o grupo a chegar com o projeto pronto, e discordar com respeito, apresentando motivo e alternativa, pesa positivamente.

Do outro lado, há erros que aparecem com frequência. Dominar a conversa é um deles, já que liderar não significa falar o tempo todo nem decidir sozinho. Sumir também custa caro, porque sem participação não há o que avaliar. Atuar para a banca, olhando os avaliadores a cada fala, soa artificial.

Distribuir papéis por imposição e tratar os colegas como concorrentes também atrapalham, afinal os outros candidatos são parceiros de projeto.

Copiar a primeira resposta da inteligência artificial sem discutir ou conferir é outro erro grave. Nesse caso, o candidato mostra justamente a falta de pensamento crítico que a banca quer medir.

Como se preparar antes do dia da seleção

A melhor preparação é praticar trabalho em equipe antes da seleção. Projetos escolares, grêmio, esportes coletivos, voluntariado e olimpíadas em grupo treinam justamente o que a banca observa. Acompanhar notícias de negócios e tecnologia também ajuda a chegar com repertório para o projeto empreendedor.

Vale ainda usar ferramentas de inteligência artificial em tarefas reais, como pesquisar um mercado ou organizar ideias para uma apresentação, e criar o hábito de conferir o que a ferramenta entrega. No fim do dia, a apresentação mostra o projeto, mas é o caminho até ela que revela o candidato.

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