Rússia enfrenta escassez de gasolina em 83 regiões e motoristas aguardam até 18 horas em filas

A escassez de gasolina na Rússia provoca longas filas e racionamento, enquanto o governo tenta conter os efeitos de ataques da Ucrânia às refinarias.

06/07/2026 17:59

4 min

Pessoas fogem de refinaria de petróleo em chamas em Ryazan, na Rússia
Pessoas fogem de refinaria de petróleo em chamas em Ryazan, na R...

Uma análise da CNN revela que quase todas as 83 regiões da Rússia estão enfrentando escassez de gasolina ou interrupções no abastecimento. Postos de combustíveis em diversas localidades adotaram medidas de racionamento, enquanto o governo russo tenta conter uma intensa onda de ataques com drones da Ucrânia contra refinarias no país.

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A crise teve início na Crimeia, onde um estado de emergência foi declarado e a venda de combustíveis para pessoas físicas foi totalmente proibida a partir de 21 de junho. Atualmente, essa situação se espalha por todo o território russo.

De acordo com informações coletadas pela CNN, mais de 50 regiões relataram oficialmente problemas de abastecimento, além de relatos não oficiais indicando dificuldades em quase todas as outras áreas. Pelo menos três regiões, incluindo Irkutsk e Transbaikal, no leste do país, decretaram “estado de alerta reforçado”, um nível logo abaixo do estado de emergência.

Um porta – voz do governo afirmou durante uma entrevista à televisão estatal que a escassez observada não é crítica, em uma tentativa clara de acalmar a população.

Cenas inusitadas em Moscou

A ansiedade em Moscou tem crescido à medida que a mídia local relata que motoristas estão aguardando até 18 horas nas filas dos postos de gasolina. Na internet, os memes sobre a situação proliferam, retratando pessoas montando mesas com bebidas e narguilés ao lado dos veículos parados.

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Mesmo na capital russa, cenas incomuns têm sido vistas nos postos, com motoristas esperando por horas sem garantia de conseguir abastecer seus carros.

A preocupação aumentou após um ataque com drones realizado pela Ucrânia em 18 de junho, considerado o maior desde o início da invasão em larga escala da Rússia. Uma explosão significativa durante uma tentativa de interceptação danificou o teto de um tanque de combustível.

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Motoristas têm relatado dificuldades para encontrar gasolina e muitos afirmam passar dias circulando por Moscou em busca do combustível necessário.

Uma motorista de 27 anos revelou estar há duas horas na fila para abastecer e questionou um funcionário sobre a possibilidade de racionamento. O trabalhador inicialmente alegou que essa informação era confidencial, mas depois admitiu que cada posto decide como gerenciar sua própria situação.

Medidas governamentais e repercussões

No dia 23 de junho, uma funcionária de um posto no centro de Moscou disse à CNN que os caminhões – tanque estavam chegando normalmente para abastecer o local. Ela considerou “totalmente desnecessário” o alvoroço e as longas filas, atribuindo isso ao pânico das compras.

Contudo, especialistas afirmam que os problemas são reais e decorrem tanto dos ataques quanto das dificuldades enfrentadas pelas refinarias das regiões vizinhas que fornecem combustível à capital.

A situação é ainda mais complicada porque ocorre no início da temporada alta de demanda no país, que costuma se intensificar até setembro, quando as crianças retornam às aulas. O governador da região de Leningrado expressou seu ponto de vista sobre a crise: “Não há motivo para pânico.

Mas também não há motivo para otimismo excessivo”.

O presidente Vladimir Putin anunciou diversas medidas para enfrentar a crise, incluindo a redução dos prazos de manutenção nas refinarias e a possibilidade de proibir exportações de diesel enquanto aumenta as importações. Informações da Reuters indicaram que a Rússia começou a comprar gasolina da Índia, alterando uma dinâmica já estabelecida onde refinarias indianas serviam como válvula para inserir petróleo russo nos mercados internacionais sob sanções.

Perspectivas futuras

Conforme reportado pelo jornal econômico Kommersant, a Rússia pode considerar permitir a comercialização de gasolina de menor qualidade para aumentar o abastecimento. Essa medida pode ser arriscada para os consumidores, já que carros novos podem ter problemas com combustíveis inferiores.

Janis Kluge, pesquisador associado do Instituto Alemão de Assuntos Internacionais e Segurança, destacou que estabilizar o abastecimento pode levar ao reconhecimento por parte da população sobre a real gravidade da escassez.

O vice – primeiro – ministro Alexander Novak afirmou recentemente que o mercado russo está “plenamente abastecido” tanto com diesel quanto com gasolina. No entanto, se os ataques ucranianos persistirem nesse ritmo elevado, essa normalização poderá não acontecer tão cedo.

A economia russa já enfrenta estagnação mesmo com gastos crescentes em defesa. O Banco Central reduziu suas taxas extremamente elevadas apenas em um quarto ponto percentual devido à pressão inflacionária crescente ligada à redução temporária na produção do combustível.

Com Putin reafirmando suas reivindicações sobre regiões ucranianas e considerando uma possível escalada militar no conflito, especialistas acreditam que o cenário futuro é incerto e preocupante.

Autor(a):

Ambientalista desde sempre, Bianca Lemos se dedica a reportagens que inspiram mudanças e conscientizam sobre as questões ambientais. Com uma abordagem sensível e dados bem fundamentados, seus textos chamam a atenção para a urgência do cuidado com o planeta.

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