Ronaldinho escapa de pagar R$ 1,7 milhão, e conta da 18K fica com empresário Marcelo Lara

Juíza de Natal viu na 18K Ronaldinho só contrato de imagem e reconheceu vínculo de emprego de supervisor registrado como sócio de fachada na empresa.

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A 10ª Vara do Trabalho de Natal (RN) excluiu Ronaldinho Gaúcho de uma condenação trabalhista de mais de R$ 1,7 milhão ligada à 18K Ronaldinho, empresa investigada por suspeita de pirâmide financeira. A juíza substituta Symeia Simião da Rocha entendeu que não havia provas de que o ex-jogador administrasse ou controlasse a companhia.

Quem vai pagar a conta é o empresário Marcelo Lara Marcelino, apontado na sentença como administrador de fato, junto com as duas empresas do grupo. A Justiça determinou o pagamento de cerca de R$ 1,3 milhão em direitos trabalhistas e indenização por danos morais. Com honorários e encargos previdenciários, o total passa de R$ 1,7 milhão.

Autor da ação era sócio só no papel

O processo foi aberto por Rhafael Horácio Nunes de Oliveira. Ele aparecia formalmente como sócio da 18K Ronaldinho, mas afirmou que trabalhava como supervisor de logística e que a inclusão no quadro societário servia para esconder um vínculo de emprego.

A juíza deu razão a ele nesse ponto e reconheceu que a sociedade de fachada encobria uma relação de trabalho. Rhafael também sustentava que Ronaldinho estava entre os responsáveis pela condução do negócio, mas essa tese não foi aceita.

Marcelino, a 18K Ronaldinho Comércio e Participações e a 18KWatches Holdings não apresentaram defesa na ação. Segundo a defesa do ex-atacante, era o empresário quem comandava as empresas, entendimento acolhido pela magistrada.

Contrato previa apenas uso de imagem em relógios

Os advogados de Ronaldinho apresentaram documentos mostrando que o acordo com a empresa se limitava ao uso da imagem dele na divulgação de uma coleção de relógios. Para a Justiça, esse vínculo comercial não comprova participação na gestão. O Ministério Público do Trabalho também havia defendido a exclusão do ex-jogador do processo.

Ronaldinho faltou à audiência, o que levou à aplicação da chamada “confissão ficta”. Ainda assim, a juíza considerou que a documentação foi suficiente para afastar a presunção de culpa.

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No processo, o ex-jogador repetiu que nunca integrou o quadro societário das empresas. Disse que rompeu o contrato ao perceber problemas no empreendimento e que foi vítima do uso indevido de sua imagem por terceiros.

18K Ronaldinho foi alvo da CPI das Pirâmides Financeiras

A empresa funcionou entre 2018 e 2019, explorando o nome do ex-jogador para vender relógios, em um modelo que também envolvia marketing multinível e criptomoedas. A CPI das Pirâmides Financeiras investigou a companhia e recomendou, em 2023, a abertura de processos criminais contra os envolvidos.

Em fevereiro, sócios da 18K foram condenados pelo Tribunal de Justiça de São Paulo a devolver valores a investidores. Ronaldinho já havia sido ouvido pelo Ministério Público de São Paulo como testemunha, sem nunca ter feito parte formalmente da sociedade.

Eleito melhor jogador do mundo pela Fifa em 2004 e 2005, Ronaldinho Gaúcho hoje se dedica à carreira de produtor musical e músico, participa de jogos festivos pelo mundo e é acionista do Ravenna, clube da Terceira Divisão Italiana.

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