Colheita histórica no RS! Assentamento Capela celebra recorde de 14 mil toneladas de arroz sem agrotóxicos. Lideranças e convidados internacionais prestigiam a produção
Sob o sol de 20 de junho, o Assentamento Capela, em Nova Santa Rita, voltou a ser um dos principais pontos de encontro da agricultura camponesa no Brasil. A ocasião reuniu centenas de famílias assentadas, lideranças políticas, representantes de órgãos públicos e convidados internacionais, marcando um momento de celebração, afirmação política e anúncio de novos investimentos.
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A produção, cultivada em uma área de 2.800 hectares por cerca de 290 famílias espalhadas por sete municípios do Rio Grande do Sul, projeta uma safra de aproximadamente 14 mil toneladas, consolidando a produção como referência continental no cultivo de arroz sem o uso de agrotóxicos.
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Mais do que um evento produtivo, a atividade foi marcada por um forte conteúdo simbólico e político. A abertura do evento resgatou a trajetória da luta pela terra, com referências a lideranças históricas da agroecologia e da organização popular, como o Frei Sérgio Görgen.
Ferramentas de trabalho e elementos que remetem à ocupação das terras foram utilizados para reforçar a ideia de continuidade entre o passado, o presente e o futuro. A dimensão histórica da luta pela terra esteve presente nas falas e nas encenações realizadas durante o evento, destacando que a produção atual é resultado de décadas de organização social, coletiva e resistência.
A colheita do arroz agroecológico foi apresentada como resultado de um processo que combina conhecimento tradicional, organização coletiva e incorporação de tecnologias. O movimento, que antes demonstrava desconfiança em relação à mecanização, revisou essa percepção ao longo dos anos, buscando aumentar a produtividade da terra.
A iniciativa de desenvolver máquinas adaptadas ao cultivo agroecológico, em parceria com empresas, visa facilitar o trabalho dos pequenos produtores. Além disso, a produção de bioinsumos, utilizando resíduos orgânicos para criar adubo, foi destacada como um elemento central para a sustentabilidade da produção.
A relação entre a produção dos assentamentos e as políticas de segurança alimentar foi um ponto central da discussão. O presidente da Companhia Nacional de Abastecimento (Conab) destacou o papel da agricultura familiar no abastecimento de programas sociais, evidenciando que 70% da comida consumida nas cozinhas solidárias do Brasil são de produtos oriundos de assentados da reforma agrária.
A retomada dos estoques públicos de alimentos e a garantia de abastecimento popular foram apresentadas como estratégias importantes para o enfrentamento da fome. A Conab conta atualmente com cerca de 500 mil toneladas de arroz armazenadas, resultado de investimentos recentes.
O evento também foi marcado pela assinatura de convênios e acordos voltados ao fortalecimento da agroecologia e à recuperação de áreas afetadas por eventos climáticos extremos. A secretária-executiva do Ministério do Desenvolvimento Agrário, Fernanda Machiaveli, informou que foram firmados convênios no âmbito do programa Ecoforte, destinando mais de R$ 4 milhões a redes de cooperação ligadas à produção agroecológica.
Os recursos serão aplicados em iniciativas voltadas à transição produtiva, com foco no uso de bioinsumos e no manejo sustentável. Além disso, foram realizados investimentos para a recuperação de áreas afetadas por enchentes.
A colheita do arroz no Assentamento Capela representou um marco na história da agricultura camponesa no Brasil, demonstrando a importância da organização, da luta e da união para a construção de um futuro mais justo e sustentável.
Autor(a):
Com formação em Jornalismo e especialização em Saúde Pública, Lara Campos é a voz por trás de matérias que descomplicam temas médicos e promovem o bem-estar. Ela colabora com especialistas para garantir informações confiáveis e práticas para os leitores.