Rio Grande: Descobertas chocantes revelam história negra apagada há séculos

Rio Grande esconde segredos sombrios? Projeto revela história ignorada de quilombos e escravos! Descubra a saga de mais de 950 espaços mapeados.

Caminhos Negros: Redescobrindo Rio Grande

Um dos principais pontos de chegada de indivíduos negros escravizados ao território que hoje corresponde ao Rio Grande do Sul foi a cidade de Rio Grande, a primeira do estado e marcada pela colonização lusitana. Uma parcela significativa da história da cidade foi construída com base na invisibilização dessas trajetórias.

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Atualmente, um mapeamento inédito em andamento já identificou mais de 950 espaços em apenas oito bairros, revelando uma presença estruturante ainda pouco reconhecida. O projeto “Caminhos Negros: Redescobrindo Rio Grande” surge para recontar essa história a partir do território, do porto e dos percursos que conectam a cidade às charqueadas de Pelotas.

A iniciativa se baseia na reparação histórica e sociocultural, sendo reconhecida em 2026 no 1º Prêmio Rotas Negras, promovido pelo governo federal. O projeto identifica, mapeia e delimita territórios negros da cidade, construindo narrativas a partir da perspectiva da população negra e promovendo ações educativas voltadas para o Estatuto da Igualdade Racial. “O Caminhos Negros é uma ideia coletiva, uma necessidade coletiva”, afirma o idealizador do projeto e coordenador de Políticas de Igualdade Racial no município, Chendler Siqueira.

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O Acúmulo de Escutas e Denúncias

Por muito tempo, a participação em conferências de igualdade racial e rodas de conversa revelou um silêncio em torno da história e da presença negra na cidade. O crescente número de relatos sobre o apagamento histórico impulsionou a iniciativa. “Eu nunca tinha parado para pensar que toda cidade tinha um pelourinho.

E onde era em Rio Grande? Eu não sabia. E não era só eu”, relata Siqueira.

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A Visão Virtual do Circuito

Inicialmente, a proposta previa a instalação de placas físicas espalhadas pela cidade, contendo informações históricas e QR Codes. O projeto foi contemplado em edital de fomento à extensão da Furg, em 2019, a partir da parceria com professoras como Rita Pata Rache e Fabiane Pianovski.

Diante de interrupções e cortes de orçamento, o grupo desenvolveu uma versão virtual do circuito, com um mapa interativo. Os pontos do trajeto foram definidos com a participação popular, a partir de uma lista inicial de 26 locais, 10 dos quais foram escolhidos por votação.

Novos Recursos e Consolidação do Circuito

Atualmente, o projeto avança com novos recursos, cerca de R$ 90 mil, provenientes de emenda parlamentar e da premiação no 1º Prêmio Rotas Negras, que devem viabilizar a instalação das placas, além da produção de uma cartilha para distribuição nas escolas e de um documentário.

A ideia é consolidar o circuito, institucionalizar, para que não dependa de gestão.

O Impacto do Projeto

O projeto envolve diretamente as escolas, trazendo as professoras para dentro do projeto e dando voz a narrativas que estavam silenciadas. Placas do projeto “Caminhos Negros” foram expostas no Mercado Público na Semana do Patrimônio 2025 de Rio Grande.

Reconhecimento de Referências Negras Locais

Um dos impactos é o reconhecimento de referências negras locais. “O Caminhos traz nomes que os alunos não conheciam, como Carlos Santos, primeiro presidente da Assembleia Legislativa gaúcha e primeiro deputado negro, e Marcílio Dias, marinheiro negro”, afirma a coordenadora do Núcleo Étnico-Racial da Secretaria de Educação, Rejane de Oliveira Gomes.

Ela aponta que a ausência dessas referências no espaço urbano também passa a ser questionada.

O Bairro Getúlio Vargas como Quilombo Urbano

O bairro Getúlio Vargas, historicamente estigmatizado e reconhecido como um dos principais territórios negros da cidade, é construído por trabalhadores portuários que não tinham transporte público eficiente na época. “O bairro negro centenário, o bairro mais negro que nós temos no município, foi construído por trabalhadores portuários que não tinham transporte público eficiente na época.

Eles ocupam um espaço que era um banhado, constroem a Vila do Cedro, que depois se torna bairro Getúlio Vargas”, explica Siqueira. Segundo o coordenador, é nesse território que se expressa de forma mais evidente a vida comunitária e cultural negra na cidade.

Memória, Religiosidade e Apagamento

O projeto também evidencia como o apagamento se manifesta em elementos cotidianos da cidade. “Quando se troca o nome de Largo das Quitandeiras,”, defende Siqueira. O mesmo ocorre com a antiga Praça da Geri