Ricardo Leães analisa ausência do Brasil em debates tarifários EUA-Brasil
Ricardo Leães critica ineficiência dos debates tarifários EUA – Brasil, alertando para intenção eleitoral oculta nos bastidores das negociações.
Os debates sobre tarifas impostas pelos Estados Unidos contra produtos brasileiros começaram nesta segunda – feira em solo americano.
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Em resposta à situação comercial que se desenrola nos EUA, o governo brasileiro optou por não participar das discussões e decidiu enviar apenas observadores ao evento internacional. A estratégia adotada pelo país reforça uma postura de apostar na negociação diplomática direta para resolver as pendências comerciais com os parceiros americanos.
Análise da participação brasileira nas disputas tarifárias
Ricardo Leães, professor pesquisador de Relações Internacionais, analisou a decisão do Brasil durante entrevista concedida no podcast Conexão BdF, produzido pela Rádio Brasil de Fato. Segundo ele, essa escolha governamental é acertadíssima porque espaços como esse tipo de debate são considerados ineficientes — o analista ironizou chamando – os de “teatrinho” e “pantomima”.
“A gente sabe que o resultado está pré – determinado anteriormente,” afirmou Leães ao comentar sobre os debates em Washington DC., destacando um interesse político por trás da pressão comercial dos EUA.
O pesquisador apontou diretamente para Donald Trump, sugerindo que a intenção desse líder americano seria pressionar ainda mais o país vizinho com objetivo específico: tentar facilitar uma vitória eleitoral no Brasil na disputa envolvendo Flávio Bolsonaro.
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Por essa razão, segundo suas palavras, é muito improvável que as audiências realizadas nos Estados Unidos tragam algum tipo de retorno significativo alinhado aos interesses nacionais brasileiros.
Estratégias comerciais e novos parceiros
Além do posicionamento diplomático em relação às tarifas americanas, Leães fez um alerta sobre os desafios da política externa brasileira perante grandes potências econômicas globais. Ele enfatizou também o caráter “valentão” demonstrado por Trump ao criticar a possibilidade de qualquer diálogo ser suficiente para reverter unilateralmente uma decisão tão drástica quanto impor tarifaços contra produtos locais.
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O analista defende veementemente que é crucial que Brasil busque ativamente estabelecer novas parcerias no âmbito comercial internacional. Não se deve esquecer dos movimentos geopolíticos recentes na região Sul globalizada e as expectativas criadas com visitas como a do presidente Xi Jinping à cidade brasileiras em 2019, quando havia grande expectativa sobre um possível ingresso brasileiro nas rotas da seda chinesa (Belt and Road Initiative.
“A opção foi não entrar [na rota], justamente por evitar desagradar os EUA,” destacou Leães ao relembrar o contexto histórico de decisões comerciais complexas para Brasília.
O professor concluiu seu raciocínio apontando uma consequência negativa dessa cautela: “Depois da decisão, não tivemos nenhum benefício. Pelo contrário, vieram alguns tarifaços desde então”, reforçando que as pressões externas continuaram a impactar negativamente a economia do país em momentos cruciais.”