Relatório aponta que detidos em “Alcatraz dos Jacarés” ficavam em jaulas de 1,6 m²

Relatório do DHS revela que detidos ficavam em celas de 1,6 m² e sem água potável no centro da Flórida.
Grupo de agentes do ICE caminha pelo Aeroporto Internacional Hartsfield-Jackson em 25 de março de 2026, em Atlanta, Geórgia
Grupo de agentes do ICE caminha pelo Aeroporto Internacional Har...

O centro de detenção de imigrantes na Flórida conhecido como “Alligator Alcatraz” (Alcatraz dos Jacarés) é alvo de um relatório do inspetor – geral do Departamento de Segurança Interna (DHS) que descreve condições preocupantes. Cerca de 80 detidos foram mantidos em pequenas celas metálicas com aproximadamente 1,6 metro quadrado de área, por períodos que variaram de alguns minutos a quase duas horas.

O documento de 34 páginas, divulgado após uma visita em janeiro, aponta que a prática de confinar imigrantes nesses recintos internos é “diferente de qualquer outra já observada por uma equipe do Gabinete do inspetor – geral nas instalações do ICE”.

A unidade, localizada a menos de 80 quilômetros a oeste do complexo turístico de Trump em Miami Beach, foi inaugurada pelo estado no verão de 2025, erguida rapidamente na pista do aeroporto de treinamento e transição de Dade – Collier.

Condições de superlotação e falta de água potável

O relatório detalha que os detidos passavam a maior parte do dia em alojamentos sem janelas e superlotados. As oito habitações analisadas abrigavam entre 22 e 31 pessoas cada, excedendo o padrão exigido de 7 metros quadrados por detido, conforme dados populacionais fornecidos pelo centro no final de janeiro.

Os inspetores também constataram que os imigrantes não tinham acesso a água potável e tomavam banho apenas três vezes por semana.

Os chuveiros do centro estavam infestados de pequenos insetos, segundo a equipe de inspeção. Entre 17 de julho de 2025 e 18 de janeiro de 2026, 79 detidos ficaram confinados em pequenos compartimentos metálicos, descritos pela equipe do local como “áreas de relaxamento” para que os detidos se acalmassem.

O relatório, no entanto, encontrou “pelo menos um caso em que os pequenos recintos metálicos podem ter sido utilizados como ferramenta disciplinar”.

Reações e encerramento das operações

O governador da Flórida, Ron DeSantis, afirmou que as unidades deveriam ser temporárias e que encerraram suas operações em meados de junho. Alex Lanfranconi, diretor de comunicações de DeSantis, declarou que a “mídia de esquerda quer focar em uma área de confinamento para estrangeiros com antecedentes criminais violentos”.

Ele completou: “Embora o local cumpra todas as normas federais para o confinamento de detentos, nós o tornaríamos ainda menor se pudéssemos.”

O DHS indicou que o estado — e não o Departamento — detinha a autoridade sobre as operações diárias do centro. Em resposta ao relatório, o órgão afirmou que não possuía nenhum contrato com a Flórida para gerir os centros de detenção. As recomendações do inspetor – geral, que incluíam eliminar o uso das pequenas celas metálicas e garantir acesso a água potável, perderam o efeito com o encerramento das operações da unidade.

Autor(a):

Ambientalista desde sempre, Bianca Lemos se dedica a reportagens que inspiram mudanças e conscientizam sobre as questões ambientais. Com uma abordagem sensível e dados bem fundamentados, seus textos chamam a atenção para a urgência do cuidado com o planeta.

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