Relato de viagem a Caracas: comunicação, resistência e o legado de Chávez
Uma Jornada em Caracas: Semiótica, Resistência e o Futuro da Venezuela
Há cinco meses, em um sábado, dia 3 de janeiro de 2026, acordei com um chamado urgente da minha amiga. A notícia era chocante: o presidente Nicolás Maduro e a deputada Cília Flores haviam sido sequestrados, e mais de 100 pessoas, a maioria jovens, haviam perdido a vida.
Mal sabia eu que, em pouco tempo, estaria dando meus primeiros passos neste país, um lugar que já despertava tantas controvérsias e narrativas conflitantes.
O convite veio do coordenador do Movimento de Amizade Solidariedade Venezuela e Cuba, Yhonny Garcia Calles, que me convidou para integrar a Universidade Internacional de Comunicação (Lauicom), em Caracas. Cheguei ao país no dia 10 de maio, sem ter a menor ideia do que me aguardava durante aqueles 15 dias.
Logo de cara, me deparei com uma cidade vibrante, repleta de belezas e um povo acolhedor. Desde a eleição do comandante Chávez em 1999, meu coração já vibrava em sintonia com o povo venezuelano, e eu ansiava por testemunhar de perto o processo constituinte que moldava a Constituição da República Bolivariana de Venezuela.
Um dos momentos mais marcantes foi a oportunidade de assistir e ouvir Hugo Chávez durante um encontro no assentamento do Movimento dos Trabalhadores Rurais Sem Terra (MST), em Tapes, no âmbito do Fórum Social Mundial em 2005. Sua liderança e carisma eram inegáveis, e a perda do comandante Chávez, vítima de um câncer suspeito, ainda hoje, me causa profunda tristeza.
Acompanhei de perto a formação das comunas, uma iniciativa lançada pelo Chávez para garantir o desenvolvimento local, e minha atenção estava focada no dia 3 de janeiro de 2026, quando a comunicação para a libertação se tornou uma realidade.
Ao chegar, senti como se estivesse reencontrando amigos de longa data. O encontro reuniu mais de 120 pessoas de 23 países, incluindo jornalistas, comunicadores, ativistas políticos e especialistas em semiótica. A Universidade Internacional de Comunicação (Lauicom), criada pelo doutor em filosofia e atual reitor Internacional, Fernando Buen Abad, em colaboração com Hugo Chávez, surgiu com o objetivo de formar comunicadores capazes de enfrentar os desafios da comunicação contemporânea e a “guerra semiótica”.
Editoria:
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