Relação Moraes-Vorcaro: Mendonça afasta Andrei Rodrigues em meio à crise no STF

A decisão ocorre após Mendonça divulgar relatório da PF com mensagens atribuídas a Moraes, enquanto o ministro acusa o colega de abuso de autoridade.

08/09/2026 19:51

4 min

Os ministros André Mendonça e Alexandre de Moraes
Os ministros André Mendonça e Alexandre de Moraes

O afastamento do delegado da Polícia Federal, Andrei Rodrigues, encerra, por enquanto, uma crise que começou na semana passada no STF (Supremo Tribunal Federal) e envolve o caso do Banco Master. O episódio mais recente ocorreu nesta terça – feira (8), após decisão do ministro André Mendonça.

CONTINUA DEPOIS DA PUBLICIDADE

A tensão na Corte começou em 1º de setembro, quando Mendonça retirou o sigilo de um relatório de 218 páginas produzido pela Polícia Federal. O documento investigava o Banco Master e levou à divulgação de mensagens atribuídas ao, encontradas no celular do ex – banqueiro Daniel Vorcaro.

Mensagens de Daniel Vorcaro ampliaram a crise

Antes de tornar o conteúdo público, André Mendonça havia avisado a Moraes que enviaria o material à PGR (Procuradoria – Geral da República). Entre as mensagens reveladas está uma enviada em 14 de novembro de 2025, pouco antes da prisão de Vorcaro.

CONTINUA DEPOIS DA PUBLICIDADE

Na conversa, o banqueiro escreveu ao contato atribuído a Moraes: “Estamos juntos sempre. Você sabe que tenho gratidão da minha vida a você”. Na sequência, disse que a família, os funcionários, os parceiros e os amigos tinham uma “dívida de vida” com o ministro e sua família.

Outras mensagens indicam que Vorcaro tentava descobrir se poderia ser alvo de uma operação. Em 15 de novembro de 2025, dois dias antes da prisão, perguntou a Moraes: “Acha que segunda já tenho que estar fora?”. No dia seguinte, teria feito uma nova pergunta: “Você acha que existe alguma chance disso acontecer amanhã de manhã?”.

Vorcaro acabou preso em 17 de novembro no Aeroporto de Guarulhos. Ele tentava embarcar em um avião particular com destino a Dubai.

Também vieram a público mensagens envolvendo a, Paulo Gonet, e o diretor – geral da PF, Andrei Rodrigues. Os dois são suspeitos de trabalhar para conter o avanço das investigações sobre o banco.

Leia também

Moraes acusa Mendonça e Fachin define prazo

Dois dias depois da divulgação do material, Moraes acusou Mendonça de improbidade administrativa e abuso de autoridade na condução da relatoria do Caso Master. A iniciativa ocorreu dentro do inquérito das Fake News.

O pedido foi encaminhado ao presidente do STF, Edson Fachin, e também inclui a abertura de uma ação contra Mendonça por ter atuado “fora do regime jurídico”. Fachin respondeu que as apurações seguirão os procedimentos previstos na Constituição e que o STF agirá de maneira “firme, proporcional e rigorosa”.

O presidente do Supremo afirmou ainda que nenhuma autoridade está acima da Constituição. Também disse que nenhum “interesse” pode se sobrepor à defesa do Estado Democrático de Direito.

Fachin deu cinco dias para que Moraes, Mendonça, Andrei Rodrigues e Gonet se manifestem sobre a crise relacionada ao caso Master. Depois de receber as explicações, deverá avaliar a regularidade das apurações e decidir os próximos passos, inclusive a possibilidade de levar o tema ao plenário do Supremo.

Em meio ao conflito, Fachin defendeu a criação de um código de ética e o encerramento do inquérito das Fake News.

Decisão determina apuração sobre relatórios da PF

Na decisão mais recente, Mendonça também determinou o afastamento do diretor – geral da Polícia Federal, Andrei Rodrigues, e do delegado Leandro Almada, diretor de Inteligência Policial da PF.

Para Mendonça, os documentos apontam para um “monitoramento sistemático e ilegal” da atuação do ministro e de outras autoridades por mais de 30 dias. Entre os citados está o advogado – geral da União, Jorge Messias.

A decisão afirma que Moraes teria tido “notícias da existência” dos relatórios antes que eles fossem usados. Os documentos teriam sido empregados em uma tentativa de incluir Mendonça no “Inquérito das Fake News”.

O ministro também avaliou que os relatórios teriam servido, de maneira abusiva, para controlar e fazer uma espécie de avaliação disciplinar de sua atuação em dois processos dos quais é relator.

Mendonça ordenou que a Corregedoria da Polícia Federal abra procedimentos investigatórios nas áreas penal e administrativo – disciplinar. A apuração deverá identificar quem determinou a produção dos relatórios, quem os elaborou, quando foram produzidos e se há outros documentos semelhantes.

A decisão suspende imediatamente qualquer produção ou compartilhamento de relatórios de inteligência destinados a analisar decisões judiciais, condutas de integrantes da AGU ou a atuação da polícia judiciária.

Marcos Oliveira é um veterano na cobertura política, com mais de 15 anos de atuação em veículos renomados. Formado pela Universidade de Brasília, ele se especializou em análise política e jornalismo investigativo. Marcos é reconhecido por suas reportagens incisivas e comprometidas com a verdade.

CONTINUA DEPOIS DA PUBLICIDADE

Ative nossas Notificações

Ative nossas Notificações

Fique por dentro das últimas notícias em tempo real!