Imigrante no Reino Unido pode esperar 10 anos pelo ILR; quem ganha acima de 125 mil libras, só 3

O governo do Reino Unido propôs, na segunda-feira (02/11), uma reforma nas regras de residência permanente para imigrantes. Pela proposta da ministra do Interior, Shabana Mahmood, o período básico exigido para que a maioria dos estrangeiros solicite o Indefinite Leave to Remain (ILR) sobe de cinco para dez anos.
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O ILR é a autorização que permite viver no país sem restrição de prazo.
Depois de críticas de parlamentares, sindicatos e entidades do setor de assistência social, o governo recuou em parte do texto inicial, sobretudo no que toca aos trabalhadores da área de cuidados.
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Como funciona o modelo de residência conquistada
Batizado de “residência conquistada” (earned settlement), o novo modelo deixa o tempo de espera variável. Ele dependerá de critérios definidos pelo governo, entre eles renda, atividade profissional, domínio do inglês, histórico criminal e contribuições à Previdência britânica.
Trabalhadores com rendimentos anuais acima de 125 mil libras (cerca de R$ 912 mil) poderão pedir a residência permanente após três anos. Já quem recebe mais de 50.271 libras (aproximadamente R$ 360 mil) por ano, além de certos profissionais de serviços públicos, como médicos, enfermeiros e professores, manterá o prazo de cinco anos.
Na área de cuidados, o governo desistiu de exigir até 15 anos de residência para parte desses profissionais. Quem chegou ao país antes de maio de 2025 e atende às exigências de renda, inglês, contribuições e ausência de antecedentes criminais poderá pedir a residência após cinco anos.
Segundo informações divulgadas pelo governo e pela imprensa britânica, a medida pode alcançar cerca de 300 mil pessoas, somando trabalhadores e dependentes.
Refugiados e quem entrou irregularmente terão esperas maiores
Pessoas que receberam proteção após entrar no país por vias consideradas legais podem esperar até 20 anos pela residência permanente. A participação em programas de trabalho ou estudo, porém, pode encurtar esse prazo.
Para quem entrou de forma irregular, a espera pode chegar a 30 anos. A regra vale sobretudo para quem atravessou o Canal da Mancha em pequenas embarcações e depende de recursos públicos.
A ministra Mahmood defende que a residência permanente só seja concedida em troca de contribuição à sociedade britânica. Em comunicado do Ministério do Interior, publicado em novembro de 2025, quando o modelo foi apresentado, ela disse: “migrar sempre será uma parte vital da história da Grã-Bretanha. Mas estabelecer-se neste país para sempre não é um direito, é um privilégio. E deve ser conquistado”.
O governo afirma que a reforma busca reduzir a migração, estimular a integração e reconhecer quem contribui para a economia e para os serviços públicos.
Consulta pública recebe mais de 200 mil manifestações
Também na segunda-feira, o Ministério do Interior divulgou o resultado de uma consulta pública sobre a reforma. A pesquisa recebeu mais de 200 mil manifestações de pessoas e organizações e tratou de critérios como caráter, integração, contribuição econômica e tempo de residência.
As regras definitivas ainda não foram fechadas e deverão entrar em vigor a partir de 2027. O governo estima que aproximadamente 500 mil pessoas terão de esperar mais tempo para obter a residência permanente.
Refugiados, parlamentares e sindicatos reagem às propostas
As propostas já provocaram críticas de organizações de defesa dos refugiados e de representantes de trabalhadores. Em análise publicada em janeiro de 2026, o Alto Comissariado das Nações Unidas para os Refugiados (ACNUR) demonstrou preocupação com a redução do período inicial de autorização de permanência e com o aumento do tempo até a residência definitiva.
Para a agência, a renovação frequente de autorizações temporárias pode aumentar a insegurança dos refugiados, gerar custos administrativos e atrapalhar a integração e a coesão social. Já a Comissão de Assuntos Internos da Câmara dos Comuns, em relatório divulgado em março, apontou problemas no modelo e recomendou medidas de transição para quem já vive no Reino Unido e está perto de cumprir os requisitos atuais.
Segundo o relatório, mudanças sem garantias específicas podem atingir pessoas vulneráveis e criar incerteza para imigrantes que organizaram a vida no país com base nas regras anteriores.
A revisão para os trabalhadores de cuidados veio após pressão de sindicatos, parlamentares do Partido Trabalhista e representantes do setor, que alertaram para os efeitos de prazos mais longos na contratação e na permanência de profissionais de serviços essenciais.
A exceção anunciada atenua essas preocupações, mas não muda a ampliação do prazo geral para os demais imigrantes.
Editoria:
Redação Internacional
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