Reestruturação no varejo deve aumentar em 2026 devido a juros altos, afirmam especialistas

A previsão de reestruturações no varejo brasileiro em 2026 reflete o impacto das altas taxas de juros e a crescente inadimplência entre os consumidores.

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O especialista em reestruturação Claudio Damasceno, sócio da RGF Bizdoc, aponta que o setor varejista brasileiro deve enfrentar um aumento nos casos de reestruturação. A situação ficou ainda mais evidente após a recuperação judicial das Casas Bahia, anunciada na segunda – feira (17.

A companhia revelou que fatores como a alta taxa de juros, restrição de crédito e aumento no custo financeiro contribuíram para essa decisão. Na avaliação de Damasceno, esse ambiente desafiador reflete uma tendência preocupante para o futuro das empresas do setor.

A CEO da AGR Consultores, Ana Paula Tozzi, também mencionou que a crise não afeta apenas uma única empresa. Casos como o da Americanas demonstram que o problema é mais amplo. “É possível que continuemos vendo processos de reestruturação, principalmente entre empresas muito alavancadas e dependentes de capital de giro”, afirmou Tozzi.

Ela acrescentou ainda que o atual cenário tem feito uma seleção rigorosa entre as empresas com balanços saudáveis e aquelas excessivamente endividadas.

Impacto dos juros altos no consumo

Os juros elevados têm pressionado diretamente o consumo das famílias brasileiras. Segundo Tozzi, essa situação provoca um efeito cascata: “Juros elevados, crédito escasso e endividamento das famílias restringem o acesso ao novo crédito”. Essa inadimplência historicamente alta, registrada em patamares recordes pela Serasa Experian, afeta especialmente o varejo.

“A inadimplência reduz a renda disponível das famílias e torna o consumidor mais cauteloso”, explicou a CEO da AGR. O impacto é visível nas compras de bens duráveis, como móveis e eletrodomésticos, que costumam ser adquiridos por meio de parcelamento.

Com um número significativo da população enfrentando dificuldades financeiras, muitos consumidores têm adiado suas compras ou optado por produtos mais baratos.

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A pressão sobre os varejistas

Damasceno ressaltou que os varejistas que dependem do crediário enfrentam um cenário complicado: “O cliente inadimplente é alguém com quem não se pode mais vender a prazo”. Isso gera um duplo impacto nas finanças do varejista: além da redução nas vendas, há um aumento nas perdas relacionadas ao crédito concedido.

Com taxas rotativas de cartão próximas a 428% ao ano, os consumidores endividados acabam pagando suas faturas antes mesmo de retornar às lojas. Para as empresas do varejo físico que operam com crediário — como as Casas Bahia — essa inadimplência representa uma pressão direta sobre suas operações comerciais.

A confiança abalada no crédito ao varejo

A situação foi agravada pelo caso da Americanas, que minou a confiança dos bancos em financiar o setor varejista. Damasceno explica que as instituições financeiras tornaram – se mais exigentes quanto à transparência e garantias por parte das empresas. “O crédito não desapareceu, mas ficou mais seletivo e caro”, observou Tozzi.

Após a crise na Americanas, as empresas precisam demonstrar geração real de caixa para evitar problemas financeiros. Para aquelas já alavancadas, esse novo cenário é crítico: “Passou a ser fundamental não apenas quanto uma empresa vende, mas como ela financia aquilo que vende”, conclui Tozzi.