Queijo “Sete Povos” conquista Super Ouro e reconhecimento mundial!

“Sete Povos”: queijo gaúcho conquista ouro mundial! 🏆 Família Valsoler, do Assentamento Simón Bolívar, em Jóia, RS, fatia o mercado internacional com sua

07/05/2026 15:04

4 min

Queijo “Sete Povos” conquista Super Ouro e reconhecimento mundial!
(Imagem de reprodução da internet).

Queijo Artesanal Conquista Reconhecimento Mundial

Um queijo produzido no Assentamento Simón Bolívar, em Jóia, no noroeste do Rio Grande do Sul, alcançou um feito notável. O “Sete Povos”, criação autoral da família, conquistou a prestigiosa medalha Super Ouro no 4º Mundial do Queijo do Brasil, realizado de 16 a 19 de abril de 2026 em São Paulo.

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Essa distinção elevou o produto ao nível de reconhecimento internacional, colocando-o entre os mais valorizados do evento e aproximando-o de figurar entre os 10 melhores queijos do planeta. O sucesso é um testemunho do trabalho dedicado e da paixão pela tradição familiar.

A História por Trás do Sabor

O queijo “Sete Povos” é fruto da dedicação de Igor Valsoler, um jovem queijeiro da família assentada, que desenvolve técnicas inovadoras, maturações e combinações únicas, inspiradas no terroir missioneiro. A família Valsoler, que inclui Marleise e Edemir, tem uma longa história na produção de queijos, iniciada pela avó Maria, e agora, com a terceira geração, continua a preservar essa tradição.

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Marleise, membro da família, expressou sua emoção: “É o nosso filho que coloca a mão na massa, cria as receitas e conta a história das Missões no queijo ‘Sete Povos’. Ter o trabalho dele reconhecido com uma medalha Super Ouro é emocionante.

Isso mostra que a dá certo e que a juventude está fazendo a sucessão familiar e conquistando espaços”.

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Um Queijo com Identidade e Tradição

O “Sete Povos” é um queijo de massa semidura, maturado por quatro meses em pranchas de madeira de araucária, o que confere aromas frutados, textura rústica e um sabor amendoado delicado, equilibrando cremosidade e intensidade. A casca natural reforça seu caráter artesanal e a ligação direta com o ambiente de maturação.

Feito com leite produzido no próprio lote da família, o queijo transforma a paisagem missioneira – suas madeiras, bactérias lácticas, clima e história – em expressão sensorial. Cada lote carrega a marca do terroir e do campesinato, valorizando práticas que unem tradição, técnica e cuidado.

Resiliência e Persistência

A Agroindústria Camponês nasceu em um momento desafiador. A família tinha apenas uma vaca, que acabou sendo sacrificada. A produção de queijo, que era alimento, renda e sentido de continuidade, parecia ter chegado ao fim. “Parecia que tudo tinha acabado.

Mas tem gente que não faz queijo só para vender, faz porque aquilo faz parte da vida”, relata Marleise.

A partir dessa ruptura, a família iniciou uma nova jornada, marcada por cursos, testes, noites de maturação e investimento em qualidade. O queijo cresceu, amadureceu e, como o território que o inspira, resistiu. Hoje, o “Sete Povos” é um símbolo dessa persistência.

Reconhecimento Nacional e Internacional

O 4º Mundial do Queijo do Brasil reuniu 2.600 queijos de diversos países. A avaliação foi às cegas e considerou critérios técnicos como textura, aroma, sabor, retrogosto e aparência. A medalha Super Ouro é atribuída apenas aos produtos de maior pontuação entre todas as categorias.

O Rio Grande do Sul se destacou, conquistando cinco medalhas Super Ouro, ficando em terceiro lugar nacional, atrás apenas de Minas Gerais e São Paulo. Queijos como o Parmesão da Queijaria Somacal, de Farroupilha, e o Tilsit, também da Somacal, de Farroupilha, foram bem classificados, assim como o Parmesão da Queijaria Schneider, de Marcelino Ramos, e a Ricota Fresca com Chimichurri de Laticínios Pipo, de Nova Roma do Sul.

O Significado do Nome “Sete Povos”

O nome “Sete Povos” faz referência direta aos Sete Povos das Missões Jesuíticas Guaranis, um conjunto histórico que marcou profundamente o território onde o queijo é produzido. São eles: São Miguel, São Luís, São Nicolau, São João, São Lourenço, São Borja e Santo Ângelo.

Essas reduções formavam um complexo político, cultural e espiritual organizado pelos povos guaranis em diálogo com os jesuítas, e se tornaram um dos experimentos socioculturais mais singulares da história latino-americana.

Em 2026, o mundo inteiro está atento aos eventos que celebram a rica história e cultura da região. O queijo “Sete Povos”, ao levar o terroir missioneiro para um concurso mundial e alcançar a medalha Super Ouro, torna-se parte viva dessa celebração histórica – um alimento que materializa memória, identidade e território.

Autor(a):

Com formação em Jornalismo e especialização em Saúde Pública, Lara Campos é a voz por trás de matérias que descomplicam temas médicos e promovem o bem-estar. Ela colabora com especialistas para garantir informações confiáveis e práticas para os leitores.

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